Brasil 'aperta' UE em nova disputa do açúcar na OMC

19/02/2010

Brasil 'aperta' UE em nova disputa do açúcar na OMC

 

Os exportadores brasileiros de açúcar já perderam "milhões de dólares" com a recente decisão da União Europeia (UE) de ampliar suas exportações de açúcar em 500 mil toneladas, reclamou na quinta-feira o Brasil em reunião na Organização Mundial do Comércio (OMC).

Brasil, Austrália e Tailândia aproveitaram o encontro periódico do Órgão de Solução de Controvérsias da OMC para manter a pressão sobre a UE, acusando Bruxelas de ter, na prática, derrubado o preço da commodity. Segundo o Brasil, o impacto da exportação adicional da UE reverteu a tendência de alta das cotações internacionais do açúcar.

O preço caiu 10,3% desde 20 de janeiro. Somente na quarta-feira, a queda foi de 4,5%, segundo o Barclays Capital. Mas analistas do banco britânico dizem que as razões são outras, como a valorização do dólar e a redução das apostas de fundos especulativos nas commodities agrícolas. Em contrapartida, o Paquistão acaba de anunciar que aumentará suas importações de açúcar, de 50 mil para 200 mil toneladas este ano.

Como o Valor antecipou no fim de janeiro, o Brasil "cogita" abrir uma queixa formal na OMC contra os europeus. "Estamos analisando [uma queixa] e uma decisão não vai demorar", disse o embaixador brasileiro na OMC, Roberto Azevedo. Em todo caso, as conversas indicam que os países produtores querem a garantia de que a exportação adicional da UE não criará um precedente. Querem também explicações sobre a suposta legalidade da exportação.

A Austrália reclamou que a União Europeia tem direito de exportar 1,273 milhão de toneladas. Mas agora vai exportar quase 2 milhoes de toneladas fora da cota na temporada 2009/10. Os europeus dizem que uma produção excepcionalmente favorável resultou nas 500 mil toneladas a mais.

No entanto, os australianos indagaram como é possivel que um aumento da colheita de 3,9% resulte em alta de 146% nas exportações. A resposta da UE no debate de quinta-feira na OMC foi que as quantidades exportadas não são subsidiadas, que os preços internacionais no momento estão mais altos do que os custos de produção europeus e que não acredita que no ano que vem as condições do mercado mundial serão as mesmas.
 

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