Criadores de Juazeiro montam cooperativa para comercializar produtos

23/02/2010

Criadores de Juazeiro montam cooperativa para comercializar produtos

 

A instalação de um frigorífico em Juazeiro tornou o abate clandestino de carne na região inviável e os órgãos de inspeção intensificaram a fiscalização quanto à venda de leite e derivados que não atendem às exigências sanitárias. Isso gerou sérios problemas para os produtores da região que, em sua grande maioria, comercializavam seus produtos informalmente.

No último dia 16, criadores de várias associações da região se reuniram para concluir o projeto de criação de uma cooperativa. Antes da formalização, os criadores participaram de várias atividades desenvolvidas pelo Sebrae na Bahia, entre elas, palestras sobre sua constituição legal e gerenciamento.

É através da cooperativa (Cooperativa de Empreendedores Rurais de Cacimba do Silva e Região) que serão comercializados animais, leite e seus derivados produzidos na localidade, com emissão de nota fiscal e recolhimento de impostos.

"A criação dessa cooperativa é um avanço na região porque vai oportunizar a participação efetiva de pequenos criadores no negócio formal dessas atividades", diz o analista técnico regional do Sebrae/BA, Carlos Robério Araújo.

Outro objetivo a ser atingido é o incremento na renda familiar dos criadores. "Hoje, quem produz 30 litros de leite por dia, tem um faturamento mensal de um mil e cem reais, em média", afirma Araújo, que vê nas compras governamentais outra viabilidade.

Márcio Passos, 41 anos, será o presidente da cooperativa, que reúne outros 30 criadores. Na comunidade Cacimba do Silva, zona rural de Juazeiro, o novo presidente da Cooperativa, tem um rebanho de 180 caprinos de raças diferentes, criados na propriedade de 60 hectares. Entre os animais, estão os reprodutores e os destinados a abate. Além do corte, Márcio e a família ainda têm, por dia, 15 litros de leite; parte é vendida e a outra é destinada à produção de queijos, comercializados na região.

É dessa atividade que vivem Márcio, a esposa e três filhos, desde o ano de 2000, quando resolveram se dedicar à caprinocultura. De lá para cá, houve algumas mudanças. Atualmente, a família consegue vender um animal com 12 kg aos 8 meses de idade. Antes, só aos dois anos de idade é que o animal conseguia chegar a esse peso, exigindo mais custos com a sua manutenção no pasto.

"A mudança no trato com os animais foi decisiva para que eu alcançasse esse feito", diz o criador, se referindo aos manejos alimentar e produtivo que conheceu num projeto apoiado pelo Sebrae, envolvendo associações de produtores no norte do estado. Através da Fazenda Icó - área modelo de exploração da atividade caprinovinocultura -, técnicos de várias instituições vêm ajudando no desenvolvimento de ações e adoção de práticas que garantam sustentabilidade à cadeia produtiva.

É no próprio sítio que o criador Márcio Passos mantém a forragem pronta para alimentar o rebanho durante todo o ano, mesmo em período de seca. Ele aprendeu a guardar palma, leucena, capim bufel, melancia de cavalo e outros alimentos para os animais. Aliado à alimentação, o melhoramento genético, com estações de monta programadas, garante animais de melhor aceitação no mercado.

LATICÍNIO

O primeiro projeto da cooperativa recém criada para a estruturação da atividade é construir um laticínio que beneficie a produção da localidade de Cacimba do Silva e região. Uma carta consulta será enviada ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que pode financiar com recursos não reembolsáveis. A ação deve ser desenvolvida pelo Banco do Brasil (BB), através do programa Desenvolvimento Regional Sustentável (DRS).


Fonte:
Agência Sebrae de Notícias na Bahia
Juliana Souza - Jornalista

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