Bahia sediará eventos importantes de cebolicultura

01/03/2010

Bahia sediará eventos importantes de cebolicultura

 

Responsável por aproximadamente 20% da produção nacional de cebola, e com mais de 60 mil pessoas vivendo direta e indiretamente dessa cultura, o Nordeste recebe pela quinta vez o Seminário Nacional da Cebola (Senace). O estado sede desta 22ª edição é a Bahia, mais especificamente o município de Casa Nova, na região do Vale do São Francisco, que reunirá nos dias 3 e 4 de março um público estimado em 2 mil pessoas, de vários estados brasileiros e de países como Argentina e Uruguai. Uma oportunidade de promover a integração dos que fazem a cadeia produtiva do agronegócio da cebola, com discussões relativas à cultura, como sistemas de produção, previsão de safras, novos recursos e técnicas de cultivo. O evento acontece em paralelo com o XIII Seminário da Cebola do Mercosul.

O Senace é uma realização conjunta entre a Associação Nacional dos Produtores de Cebola (Anace), a Associação de Produtores de Cebola do Médio São Francisco (Aprocesf) e a Embrapa Semiárido. O Governo do Estado, através da Secretaria da Agricultura, apóia o evento. As duas últimas edições aconteceram em Santa Catarina (2008) e no Rio Grande do Sul (2009), respectivamente 1º e 3º lugares no ranking nacional de produção de cebola.

O encontro, que já faz parte do calendário nacional de eventos agrícolas, contará com a presença do secretário da Agricultura, Roberto Muniz que apresentará importantes políticas públicas voltadas ao desenvolvimento da cultura na região do Vale. A região compõe o principal pólo de produção de cebola do Norte/Nordeste, sendo Casa Nova o maior município produtor da Bahia e 2º no ranking nacional com mais de 3,6 mil hectares plantados, ou 34% da área de cebola do Estado.

Muniz explica que, no período de baixa do lago de Sobradinho, as terras localizadas as margens do lago tornam-se áreas com características favoráveis para este cultivo (uma vez que para cada metro que o rio baixa, uma faixa de terra de um quilômetro fica disponível para o cultivo desta olerácea). “Somente o município de Sento Sé possui a maior costa do lago de Sobradinho, abrangendo algo em torno 200 km de margem, evidenciando a potencialidade de crescimento da cebolicultura no município”, completou.

Considerando o potencial que a região apresenta e no sentido de transformar a atividade de pós colheita em fonte de geração de postos de trabalho para um grande contingente de mão-de-obra qualificada, a Seagri tem atuado no sentido de viabilizar a implantação de uma moderna unidade de beneficiamento/processamento de cebola. “A unidade agregará valor à produção da região, melhorando a competitividade da olerícola, gerando impactos relevantes para o agronegócio regional e baiano, com efeito multiplicador sobre o cenário socioeconômico das áreas de influência, em aspectos que abrangem desde a arrecadação municipal, a oferta de produtos com valor agregado, logística, emprego, renda, e formação educacional dos agricultores familiares envolvidos”, destacou o secretário da Agricultura, Roberto Muniz.

Vale ressaltar que os produtores de cebola no município de Sento Sé, cidade sede da fábrica, já estão organizados em cooperativa e capacitados.     O projeto técnico, desenvolvido pelo órgão, está em fase final de implantação.

Ainda segundo Muniz, a grande vantagem da produção de cebola no Nordeste é que se trata da única região brasileira produtora de cebola que tem possibilidade de ofertar o produto durante todos os meses do ano, devido à favorabilidade das suas condições climáticas. “Essas características regionais criam condições de auto-suficiência no abastecimento interno ao longo do ano. Esta vantagem permite aos produtores da região programar suas safras para os meses do ano quando, historicamente, ocorre menor oferta do produto no mercado doméstico e, consequentemente, os preços estão mais elevados”.

Potencial

A cebolicultura na Bahia é uma atividade praticada principalmente por pequenos produtores e a sua importância sócio-econômica está não apenas na rentabilidade, mas na grande demanda de mão-de-obra. Contribuindo, assim para a viabilização de pequenas propriedades e na fixação dos produtores na zona rural, reduzindo a migração para as grandes cidades.

Segundo dados da Superintendência de Política do Agronegócio -  SPA/Seagri, considerando o período de 2000 a 2009, a área colhida com cebola na Bahia passou de 4,518 mil hectares para 9,7 mil hectares, o que representa um aumento da ordem de 114,8%. A produção de cebola no mesmo período saiu de 74 mil toneladas para 223,4 mil toneladas, um incremento de 199%. Esses números elevaram a Bahia de 5º lugar em 2000 para o segundo maior produtor nacional de cebola.

Neste período, observa-se também um bom aumento na produtividade que sai de 16, 527 mil quilos por hectare (kg/há) para 23,0 mil kg/ha, superior a média nacional que ficou em 21,4 mil kg/ha em 2009. Segundo o superintendente do SPA, Jairo Vaz, esse aumento foi em função de trabalhos de pesquisa no manejo da cultura e, principalmente, pelo uso de cultivares desenvolvidas e melhor adaptadas às condições regionais.

“Quanto ao valor econômico, o faturamento da cebola contribuiu no Valor Bruto de Produção das lavouras em 2009, com R$ 157 milhões um aumento de 300% em relação ao VBP registrado para essa lavoura no ano de 2000, R$ 39 milhões”, detalhou.

Na Bahia a cebola é produzida em 40 municípios, distribuídos em 11 territórios de Identidade, sendo o Território Sertão do São Francisco o principal pólo produtor. Dentre os principais municípios baianos produtores de cebola estão Casa Nova, Sento Sé, Juazeiro Ibicoara, Curaçá e Sobradinho que juntos respondem por 88% da produção estadual.


Fonte:
Ascom/Seagri
Ana Paula Loiola
Tel.:3115-2767/2737

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