Mais de 80% do caju da Bahia é perdido

01/03/2010

Mais de 80% do caju da Bahia é perdido

 


Rico em vitamina C e ferro, o caju é a fruta que ocupa a segunda maior área plantada no Brasil, só perde para a laranja.Quem conhece seu potencial costuma dizer que do cajueiro tudo se aproveita, “até a sombra que a árvore pode oferecer”. A amêndoa da castanha, porém, é o principal produto explorado comercialmente.“Cerca de 80% a 85% do fruto é perdido, o que é um absurdo”, afirma o coordenador da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), José Augusto Garcia. Além da castanha, o pendúculo do caju, parte conhecida como polpa da fruta, é utilizado industrialmente para a fabricação de suco e doces artesanais. Mas é na amêndoa que está uma potencialidade pouco conhecida desta fruta.

O líquido da casca da castanha, ou LCC, é matéria-prima para produtos químicos que vão desde óleo que pode substituir o azeite de oliva em alimentos, até a utilização em fungicidas, inseticidas, tintas e vernizes. “Só com o LCC, os produtores faturaram em torno de R$ 60 milhões em 2009”, comenta o pesquisador da Embrapa Agroindústria Tropical Fábio Paiva.

A Bahia, produz aproximadamente 5,2 mil toneladas de castanha ao ano, segundo levantamento do IBGE, mas não explora o LCC. A produção no Estado é essencialmente voltada para a extração da castanha, que costuma ser enviada para o parque industrial do Ceará ou Rio Grande do Norte, estados que, juntos com o Piauí são os maiores produtores de caju.

Nestes estados, o parque industrial de processamento de castanha de caju produziu mais de 350 mil toneladas do produto e faturou, em 2009, aproximadamente, R$ 180 milhões só com a torrefação da castanha. “Até 80% desta produção é voltada para a exportação, o principal comprador são os Estados Unidos”, comenta José Augusto.

Mas, segundo estudos da Embrapa, o parque industrial não trabalha em sua capacidade máxima. “Há um deficit de aproximadamente 100 mil toneladas de amêndoas para serem processadas ao ano”, estima Paiva.

O pesquisador diz que o Estado com maior potencial para expansão da cajucultura é a Bahia. A oferta de áreas e o clima propícios são principais argumentos. Ele destaca os municípios de Barra, no São Francisco, Barreiras e Luís Eduardo Magalhães, no oeste como polos potenciais.

Além disso, na Bahia, a EBDA investe no fornecimento de mudas e nas pesquisas de implantação do caju anão precoce. O projeto é voltado a agricultores familiares envolvidos em programas e projetos relacionados à cadeia produtiva do caju. Estes são os maiores fornecedores da agroindústria do setor, a exemplo da Cooperativa de Cajucultores Familiares da Região Nordeste da Bahia (Cooperacaju).

O cajueiro anão precoce, tem como características peculiares o porte baixo, produção a partir do segundo ano, alta produtividade e qualidade dos frutos. “A planta tem recebido a merecida atenção, por, entre outros fatores, facilitar e reduzir os custos dos tratos e colheita”, afirmou a engenheira agrônoma e coordenadora do programa, Mary Ferreira, que atua na gerência regional de Ribeira do Pombal.

Estado sofre com baixa tecnologia

A Bahia reúne condições ideais para a lavoura do caju, mas possui produção pouco expressiva no ranking nacional e não possui nenhuma indústria de processamento de castanhas. Concentrada entre pequenos produtores, a produção sofre com o baixo nível tecnológico.

Iniciativas da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), Embrapa e Fundação Banco do Brasil estão levando assistência técnica, pesquisa e a instalação de pequenas fábricas de processamento de castanhas no interior do Estado.

Em Ribeira do Pombal, a EBDA pesquisa a incidência de pragas e prevê a realização do zoneamento da cultura, além da implantação de sistemas de manejo para o caju anão precoce, espécie que produz de três a quatro vezes mais que o cajueiro comum.

O diretor de Agricultura da Empresa, Hugo Pereira, diz a técnica é simples, mas requer dedicação. “O agricultor tem resultados mais satisfatórios em intervalos de seis meses, o que resulta no aumento da produtividade”, explica Hugo Pereira.

A expectativa, para 2010, é de produzir 70 mil mudas, para atender à demanda dos agricultores envolvidos na cadeia produtiva do caju.

Potenciais para a agroindústria - Castanha Castanhas torradas, ração animal, extração do líquido da casca da castanha (LCC) para produção de tintas, vernizes, isolantes, colas fenólicas, inseticidas. Da casca é possível produzir biocombustível para utilização em caldeiras. Polpa ou pendúculo, é utilizado na fabricação de sucos e doces artesanais, farinhas, rapadura, pães, polpa, biscoito, pizza, caju ameixa, quibe, caju passa, catchup, cajuína, cachaça.

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