Moradores de assentamento têm acesso à educação profissional e curso superior

12/03/2010

Moradores de assentamento têm acesso à educação profissional e curso superior

 

Aplicar o que aprendeu na comunidade onde vive é o desejo do recém formado Leonardo dos Santos, 22 anos, técnico em agropecuária sustentável.

Morador do assentamento Itacoatiara, em Barra do Rio Grande, no oeste baiano, ele recebeu, na noite de ontem, no Museu de Ciências e Tecnologia, o diploma de técnico de agropecuária sustentável, conquistado em quatro anos de curso no Programa Nacional de Educação da Reforma Agrária (Pronera), criado em 1998 pelo governo federal.

"Nos assentamentos, geralmente não há políticas educacionais para os jovens e este programa nos ajuda bastante", disse Leonardo.

Graduação - Segundo o presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Rolf Hackbart, nos 11 anos do Pronera, já foram oferecidos, na Bahia, 10,8 mil vagas, entre educação de jovens e adultos, ensino médio, técnico e superior.

Em 2004, o programa passou a ser administrado pela Universidade do Estado da Bahia (Uneb), que implantou a primeira graduação voltada para os estudantes da reforma agrária.

A entrega dos diplomas contou com a presença da pediatra cubana Aleida Guevara, filha do revolucionário argentino Ernesto Che Guevara.

Para o governador Jaques Wagner, a Bahia "vive da agricultura e precisamos qualificar, cada vez mais, os pequenos produtores. O programa já existe há 11 anos e a atuação dele é louvável".

Conquista - A formanda em Pedagogia da Terra, Ana Cláudia Oliveira, 29 anos, do assentamento Antônio Conselheiro, em Camamu, faz parte da primeira turma de universitários gerida pela Uneb.

Para ela, o curso atende às necessidades dos assentados. "Foi uma conquista dos movimentos sociais. Reivindicamos, durante anos, um curso de pedagogia voltado para o assentamento e que atendesse à nossa comunidade".

De acordo com a pró-reitora de extensão da Uneb, Adriana Mármore, o Pronera foi implantado em 100 municípios baianos.

Ela explica que os estudantes, tanto dos cursos técnicos como os universitários, contam com aulas teóricas e práticas. Segundo a corretora, o curso universitário está tendo continuidade e já há mais dois cursos, Letras e Agronomia.
 
 

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