Sertão tem peixe para Semana Santa

12/03/2010

Sertão tem peixe para Semana Santa
 

A comercialização começa amanhã. Serão quatro toneladas de tilápias, com peso entre 600 gramas a um quilo e outras 7,4 toneladas estarão prontas para o período da Semana Santa.

Contrastando com a ausência de chuvas e o forte calor, com temperaturas de até 40 graus centígrados, o município de Adustina, a 332 quilômetros de Salvador, em pleno semiárido, consegue produzir peixes em quantidade suficiente para garantir o abastecimento da cidade durante o período da Semana Santa.

Graças ao trabalho realizado pela Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária (Seagri), por meio da Bahia Pesca, não apenas em Adustina, mas em dois outros municípios do sertão, Araci, a 211 quilômetros de Salvador, e Canudos, a 410 quilômetros da capital, a produção de peixes pelo método de cultivo em tanques-rede vem dando resultados.

Os três municípios garantem a produção de pescados na região e ainda abastecem outras localidades do semiárido.

A parceria da Bahia Pesca, que é feita com a Universidade do Estado da Bahia (Uneb), permitiu que 30 famílias em Araci, 22 em Canudos e outras 26 em Adustina fossem beneficiadas com a colocação de 40 tanques-redes em cada localidade.

Na primeira fase do projeto, a Bahia Pesca fornece os tanques-rede, os alevinos e as rações, além da capacitação e assistência técnica aos produtores. Numa etapa posterior, os próprios produtores irão gerir os projetos, mas continuarão a ter os alevinos e o acompanhamento técnico por parte da Bahia Pesca.

Despesca – Os frutos desse trabalho foram plantados no ano passado, quando a Bahia Pesca fez as primeiras alevinagens – colocação de alevinos, filhotes de peixes – nos tanques-rede nos açudes públicos de Araci, na comunidade de Poço Grande, em Canudos, no açude de Cocorobó e de Adustina.

Em pouco mais de seis meses foram feitas as primeiras despescas, e agora, após a segunda alevinagem, realiza-se o segundo ciclo de despesca, com a captura dos peixes na fase adulta, destinados ao consumo das próprias famílias e comercialização com outras localidades da região.

A captura de peixes feita pela Bahia Pesca no semiárido foi realizada em junho de 2009, no município de Araci. Na ocasião, com os 24 mil alevinos de tilápias colocados nos tanques do açude público do município, foram produzidas 12 toneladas de peixes, comercializadas na própria região e para uma empresa do município de Paulo Afonso.

Em um segundo povoamento, realizado no final do ano passado, foram colocados nos tanques 30 mil alevinos, que deverão produzir 12 toneladas de peixes até a Semana Santa.

Em Canudos, os 40 tanques-redes colocados no leito do Açude de Cocorobó, no rio Vaza Barris, produziram, no ano passado, época da primeira despesca, 5,9 toneladas de pescado.

Engorda – Para este ano, a expectativa é de que sejam produzidas 7,6 toneladas de peixes. Contudo, aproximadamente, 15 mil alevinos já foram colocados em novos tanques-redes e estão no processo de engorda para uma nova despesca, que deverá ser realizada no início do segundo semestre.

No município de Adustina foram produzidas no ano passado 11,7 toneladas de peixes. Para 2010, espera-se uma produção para comercialização de 12 toneladas. Outros 10 mil alevinos vão permanecer nos tanques-redes para serem comercializados, quando atingirem a fase adulta, no início do segundo semestre.

Piscicultura complementa a renda no campo

 

Como cada família trabalha em dupla, João faz parceria com Maria Reis dos Santos, 38 anos e quatro filhos. "O trabalho de agora já nos garante uma renda extra e uma certeza de que no futuro teremos mais peixes para comercializar", disse João.

Em Araci, a 211 quilômetros de Salvador, onde foram colocados 40 tanques-rede, o projeto é administrado em conjunto com 30 famílias do povoado de Poço Grande, a 18 quilômetros da sede.

O peixe começou a ser vendido no início do mês, mas até o final de março e início de abril existem pedidos de vendas para comerciantes dos municípios de Teofilândia, Serrinha, Barrocas e Tucano. "Não vai dar para quem quer", comemora a pescadora Edileuza de Jesus Bispo, 29 anos e mãe de três filhos, que exerce o cargo de tesoureira da associação.

A comercialização de pescados é uma conquista não apenas do governo da Bahia, com as ações de caráter de inclusão social, mas dos próprios piscicultores que acreditaram nos projetos desenvolvidos pela Bahia Pesca, como bem destacou o diretor-presidente da empresa, Isaac Albagli.

"A piscicultura é uma atividade complementar da renda do homem do campo e está comprovado que iniciativas como essas dão resultados positivos a curto e médio prazos na melhoria da qualidade de vida do homem do campo", disse.

 

 

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