Seagri instala Câmara Setorial de Fibras
Após implantar no estado três câmaras setoriais agropecuárias, dos segmentos leite, cacau e carne, sendo esta última composta por três câmaras temáticas, Aves-Suínos, Caprino-Ovinos e Bovino-Bubalinos, a Secretaria da Agricultura do Estado da Bahia (Seagri) lança nesta terça-feira, (16), a Câmara Setorial de Fibras. A solenidade de instalação acontecerá no Hotel Catussaba, às 10h, com a participação de lideranças do setor, secretários de estado e gestores municipais.
O órgão consultivo servirá para auxiliar o planejamento, formulação e execução de políticas públicas direcionadas para o crescimento e desenvolvimento da competitividade da cadeia produtiva. Uma oportunidade que empresários e Governo vão ter de dialogar acerca das dificuldades, sugestões, propostas e projetos para melhoria das atividades. Na oportunidade, serão demandadas ações visando elevação da competitividade, melhores preços, mais divisas e sustentabilidade do setor. “A idéia é melhorar a cooperação dos integrantes do segmento produtivo, procurando harmonizar os interesses entre os diferentes elos, bem como descentralizar, e referendar o Estado na formulação de suas políticas públicas”, definiu o secretário da Agricultura, Roberto Muniz.
Estarão representados no ato, todos os agentes da cadeia do sisal, coco e piaçava, agricultores, fazendeiros e instituições que coordenam e que tenham ações importantes de desenvolvimento no setor.
Temas que promovem o desenvolvimento, agregação de valor e aumento de competitividade serão discutidos na Câmara. O aumento da produtividade no campo, de 800 para 1,2 mil quilos por hectare, a criação de um programa de recuperação de plantações sem colheitas recentes e/ou abandonadas, implantando sistemas de consórcios com capim, milho, feijão, palmas são alguns dos assuntos a serem discutidos. Também haverá um esforço para elevar e certificar a qualidade das fibras de sisal, além da utilização de 100% da planta, incluindo mucilagem e suco do sisal. Outra questão é o desenvolvimento e produção de maquinas itinerantes para desfibramento de sisal, mais eficientes e seguras.
“A proposta de criação da câmara é tornar os objetivos verdadeiramente comuns. Ela servirá para identificação de oportunidades de desenvolvimento da cadeia produtiva e definição das ações prioritárias do setor e seu relacionamento com os mercados internos e externos. É um mecanismo democrático e transparente da sociedade de participação na políticas públicas”, conceituou o secretário executivo da câmara de
Fibras naturais, Wilson Andrade.
Importância
As fibras naturais representam uma importante fonte de matéria-prima em todo o mundo, apesar de várias de suas aplicações terem sido substituídas por materiais produzidos pelo homem, tais como plásticos e fibras sintéticas, a exemplo do polipropileno e náilon entre outros. Em relação aos seus competidores sintéticos, a fibras naturais apresentam várias vantagens, além disso, gera emprego na agricultura, evita o êxodo rural e é fonte de renda em áreas carentes em todo o mundo.
Com uma área de plantio aproximada de 257 mil hectares e uma produção de 267,8 mil toneladas, a Bahia é responsável por 95% da produção da fibra nacional, ficando a frente dos estados da Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. Mais da metade da área cultivada localiza-se em estabelecimentos de agricultores familiares.
O Estado da Bahia também é o maior produtor nacional de coco, com uma área cultivada em torno de 81 mil hectares, correspondendo a uma produção anual de 609 milhões de frutos ou 408 mil toneladas, contribuindo com R$ 218 milhões no Valor Bruto da Produção Agrícola Baiana (IBGE), além de gerar cerca de 240 mil postos de trabalho.
Apesar de ser o maior produtor brasileiro, a Bahia não tem investido no beneficiamento da casca do coco sendo que a sua grande maioria é levada para o aterro sanitário, levando de 10 a 12 anos para a sua completa decomposição.
A fibra da casca pode ser usada na fabricação de cordas (principalmente na cordoaria marítima), tapetes, esteiras, na produção de estofamentos, forramento interno de automóveis, vasos, placas e bastões. Estes últimos têm grande relevância ambiental, pois substituem a samambaiaçu (xaxim) na fabricação de vasos e substratos para plantas. Esta espécie está na lista oficial das ameaçadas de extinção, em razão de sua intensa exploração para fins de jardinagem e floricultura.
Fonte:
Ascom/Seagri
Ana Paula Loiola
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