Commodities agrícolas
Teto em dois meses.
A desvalorização do dólar em relação a outras moedas de peso no mercado internacional deflagrou um intenso movimento de compras especulativas que levou as cotações do café ao maior patamar em dois meses ontem na bolsa de Nova York. Os contratos com vencimento em maio encerraram a sessão negociados a US$ 1,3815 por libra-peso, alta de 230 pontos, enquanto os futuros para entrega em julho subiram 220 pontos e atingiram US$ 1,3960. Entre os fundamentos, a curta oferta da Colômbia segue a oferecer suporte, conforme a agência Dow Jones Newswires. No Brasil, o mercado permaneceu firme para cafés finos, extrafinos e de boa qualidade, conforme o Escritório Carvalhaes, de Santos. A saca de 60,5 quilos do café fino saiu de R$ 290 a R$ 300.
Também o dólar.
Como aconteceu no mercado de café, as cotações do cacau também subiram ontem na bolsa de Nova York graças a um movimento de compras especulativas impulsionado pela desvalorização do dólar em relação a outras moedas. Os contratos com vencimento em maio subiram US$ 71, para US$ 2.925 por tonelada, ao passo que os papéis para entrega em julho fecharam a US$ 2,955, ganho de US$ 73. A aparente menor preocupação em relação à situação financeira grega incentivou a compra de euros em detrimento do dólar, realçou relato da agência Dow Jones Newswires. Em Ilhéus e Itabuna, na Bahia, a amêndoa saltou de R$ 80,60, na sexta-feira, para R$ 86 ontem, de acordo com levantamento da Central Nacional de Produtores de Cacau.
Piso em nove semanas.
Se ofereceu sustentação a outras commodities, o enfraquecimento do dólar no mercado internacional não foi suficiente para evitar as vendas especulativas que jogaram as cotações do suco de laranja ao menor nível em nove semanas ontem em Nova York. Traders consultados pela Dow Jones Newswires afirmaram que a queda foi provocada por ajustes de posições após o período crítico de adversidades climáticas na Flórida, que reúne o segundo maior parque citrícola do mundo. Os contratos para maio fecharam a US$ 1,3500 por libra-peso, queda de 120 pontos - mesma baixa dos papéis para julho, que ficaram em US$ 1,3760. Em São Paulo, a caixa de 40,8 quilos da laranja para a indústria saiu por R$ 9,83 no mercado spot, segundo o Cepea/Esalq.
Greve na Argentina.
Os preços da soja iniciaram a semana com forte alta na bolsa de Chicago. Os contratos com vencimento em julho terminaram o pregão de ontem cotados a US$ 9,745 por bushel, com valorização de 14,75 centavos. A queda do dólar no mercado internacional foi apontada por analistas como o principal motivo para a alta da soja, segundo a Dow Jones Newswires. Entre os fundamentos, o mercado voltou suas atenções para a Argentina, onde trabalhadores iniciaram uma greve no porto de Rosário e já fecharam o acesso a dois terminais de cargas. A ação já prejudica as operações de grandes tradings, como Cargill e Bunge. No mercado interno, a saca de soja no Paraná terminou o dia cotada a R$ 31,64, alta de 1,41%, segundo o Deral, da Secretaria de Agricultura do PR.