Produtores de Barra da Estiva querem melhorar qualidade do café

08/04/2010

Produtores de Barra da Estiva querem melhorar qualidade do café

 

Foto: Imprensa/Seagri

Elevar a qualidade do café produzido em Barra da Estiva. Esta é uma das metas para a agricultura do município, que realiza até amanhã, em sua Câmara de Vereadores, o II Encontro dos Produtores Rurais de Barra da Estiva, reunindo mais de 300 produtores da região e de localidades vizinhas. A abertura do evento, na manhã desta quinta-feira, contou com a presença da prefeita do município, Ana Lúcia Viana, do secretário municipal da Agricultura, José Henrique Tinoco, dos técnicos Roberto Costa e Alessando Oliveira (EBDA e Adab, respectivamente) e de representantes de associações, sindicatos e agências financiadoras, como Banco do Brasil e Banco do Nordeste.

Foto: Imprensa/Seagri (Alessandro Oliveira)
Representando o secretário estadual de Agricultura, Eduardo Salles, impossibilitado de estar presente ao evento por causa do mau tempo na região, o técnico Alessandro Oliveira, da agência Estadual de Defesa Agropecuária do Estado da Bahia salientou a importância de se manter a produção de café em um nível de qualidade elevado. “Barra da Estiva é uma região pujante, com grande potencial. A qualidade do café produzido deve ser uma preocupação constante”, destacou.

Sob o tema “Revitalização com Fortalecimento da Cafeicultura e Novas Alternativas para a Região”, o encontro visa ampliar o conhecimento dos produtores, orientando-os sobre os cuidados que devem ser tomados com o solo da lavoura e as novas tecnologias que garantem a qualidade da produção. Na programação, constam painéis e minicursos sobre os temas “A Importância da Análise e Conservação do Solo”, “Manejo para Conservação da Água do Solo”, “Manejo e Revigoramento da Lavoura Cafeeira e Proteção Contra o Vento”, “Principais Doenças do Cafeeiro e Controles”, “Novas Tecnologias para Obter a Qualidade do Café”, “Alternativas para Irrigação”, dentre outros.

Foto: Imprensa/Seagri (Ana Lúcia Viana)
“A agricultura é prioridade, importante para a vida do município. Por isso, há um ano, temos trabalhado no sentido de elevar a qualidade do café da região, orientando os agricultores para que eles possam produzir mais e melhor”, disse a prefeita Ana Lúcia Viana. “Em comparação há um ano, a qualidade de nosso café é bem melhor, e já pode ser vendido a preços mais interessantes. Estamos no caminho do desenvolvimento, mas ainda precisamos, por exemplo, prestar mais assistência técnica aos agricultores”, completou o secretário municipal de Agricultura, José Henrique Tinoco.   

Enquanto o café de Barra Estiva não recebe um selo de qualidade, muitos agricultores têm feito a sua parte. No povoado do Camulengo, a 25 quilômetros do centro do município, uma comunidade quilombola composta por 28 famílias tem aproveitado os ensinamentos de técnicos da EBDA e da secretaria municipal da Agricultura para melhorar o solo das lavouras de café e a qualidade da produção. 

Foto: Imprensa/Seagri (Ducimar Costa)
Ducimar Costa , presidente da associação dos mini e pequenos produtores rurais do Camulengo, conta que, no início, nenhum agricultor sabia até mesmo qual era o papel do agrônomo. “Nós trabalhávamos muito errado com o café. Não sabíamos como fazer a adubação e nem o cultivo de modo correto. Hoje ainda se trabalha de maneira errada. Por isso, é necessário que sejam realizados encontros como esse. O nosso café vai se tornar tão bom quanto o de outras localidades próximas, como Barra do Choça, que hoje já é exportado”, assinala Costa.

A idéia é que o café do município ganhe, num futuro próximo, um selo próprio. Além disso, que atinja o mesmo patamar de outros municípios, como Piatã e Luiz Eduardo Magalhães, cuja produção está bem desenvolvida. Além disso, a prefeitura trabalha no sentido de incluir Barra da Estiva, em setembro deste ano, no concurso estadual do café. Analisa ainda a possibilidade de realizar um concurso municipal no qual será avaliada a qualidade do produto.

Para o secretário Eduardo Salles, é necessário não somente conquistar o mercado consumidor, como também manter o café num excelente patamar. “Esse é um trabalho que está sendo desenvolvido em Barra da Estiva. Não tardará o café na região ser considerado tão bom como o de outras regiões, a exemplo de Luiz Eduardo e Piatã".

Produtividade

Nos últimos doze meses, registrou-se em Barra do Estiva um incremento de 30% na produtividade do café, conforme avaliou o agrônomo da Semagri, Álvaro Ferraz. Isso graças a uma maior assistência técnica prestada e, também, à realização de análise do solo, um trabalho feito em parceria com a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb). “Havia terras cujos solos já fazia mais de 10 anos sem ser analisados. Estavam desequilibrados, sem adubos e nutrientes”, disse o agrônomo. No ano passado, foram realizadas 1,2 mil análises do solo em Barra da Estiva.

Na opinião do agrônomo, ainda é preciso melhorar a qualidade do café produzido na região. Mas, para que isso ocorra, avalia Ferraz, os agricultores familiares precisam adotar algumas medidas. A primeira delas seria tornar a pós-colheita mais eficiente, com o uso de despolpadores e estufas. Quando a secagem do café é feito em estufas, a qualidade aumenta. “O sabor é superior. Por isso, o valor do café seco em estufa é maior”, explica.

Ainda de acordo com Ferraz, é necessário acabar com antigos costumes dos agricultores, como utilizar arados e grades na roçagem. “Se a roçagem é feita de forma indevida, as raticelas, aquelas raízes que nutrem a planta, são destruídas. É como se a nossa língua fosse cortada o tempo todo”, compara.

     
Fonte:
Secretaria da Agricultura
Rodrigo Vilas Bôas / Imprensa Seagri
Tel.: (71) 3115-2794

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