Falta de armazéns para guardar a safra preocupa produtores baianos

12/04/2010

Falta de armazéns para guardar a safra preocupa produtores baianos

 


Enquanto o setor agrícola comemora os bons resultados com a safra de grãos deste ano, ficam evidentes, os problemas de infraestrutura com a armazenagem, especialmente de milho. Estimativa da Embrapa prevê que aproximadamente 20 milhões de toneladas do produto fiquem de fora dos armazéns e silos no Brasil em 2010.

Na Bahia, o problema não é diferente: pelo menos 2,8 milhões de toneladas não têm onde serem estocadas.

O presidente da Federação da Agricultura da Bahia, João Martins, acredita que na Bahia o problema seja um pouco mais grave que no Brasil. “Somos uma nova fronteira agrícola e, por isso, nossa infraestrutura ainda é muito deficitária”, reconhece Dos 640 armazéns instalados no Estado, 11 são públicos, administrados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), sendo que nenhum deles está instalado no oeste. “Há um projeto aprovado para a construção de uma unidade em Luís Eduardo Magalhães, mas esta obra nem começou”, informa o presidente da Associação dos Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), Walter Orita.

Segundo a Conab, a Bahia tem capacidade de estocar 3,7 milhões de toneladas de produtos, sendo que deste total apenas 1,7 milhão pode ser estocado em armazéns específicos de grãos (graneleiros e silos). “Nos outros galpões, podem ser armazenados, além de grãos, qualquer outro material”, ironiza o coordenador de armazenagem da Conab, Ricardo Tomé.

A saída para alguns agricultores, especialmente no oeste do Estado, tem sido a adoção dos chamados “silos bag”, considerados bons paliativos porque têm grande capacidade de estocagem e de conservação dos grãos. “Mas não são resistentes e, a depender do caso, podem ser muito caros, especialmente para a armazenagem de milho”, afirma o economista e pesquisador da Embrapa, Jason Duarte.

Prejuízos

João Martins estima que o prejuízo com o déficit de armazenagem e transporte inadequado de grãos represente até 20% da safra no Brasil. “Ainda não temos estes números consolidados, mas o que se perde é mais ou menos isso”, declarou.

De acordo com ele, para solucionar o problema de estocagem no Estado seria necessário um investimento de aproximadamente R$ 2 milhões em armazéns. “Não falo só em soja e milho, mas em café, cacau, commodities que também sofrem com a dificuldade de estoque”. conta.

O presidente da Aiba, Walter Orita, diz porém que há alternativas. “Quem pode, fará o estoque nas próprias fazendas. Quem não tem esta alternativa vende direto na época de safra”, disse.

A alternativa da venda direta, porém, tem causado a queda dos preços de mercado abaixo do preço mínimo estabelecido pelo governo. “Se tivéssemos a capacidade de armazenar, especialmente a produção de milho, poderíamos trabalhar com preços mais equilibrados durante todo o ano”, avalia Orita.

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