Futuro da agricultura baiana foi debatido na Seplan

23/04/2010


Futuro da agricultura baiana foi debatido na Seplan

 

Foto: Seplan
A agricultura foi o tema das discussões entre representantes do Governo do Estado, nesta quinta-feira (15), como parte das mesas temáticas promovidas pela Secretaria do Planejamento (Seplan) que culminarão no Plano de Desenvolvimento Bahia 2023. O superintendente de Políticas do Agronegócio da Secretaria de Agricultura (Seagri), Raimundo Sampaio, falou da importância da Agricultura Familiar e afirmou que as políticas voltadas para a consolidação da difusão de conhecimento e novas tecnologias serão prioridade no planejamento de longo prazo. “É dever do poder público fazer a inserção dos serviços públicos através da constante capacitação dos agricultores”, salientou.

As idéias para o Estado até 2023 foram apresentadas em forma de blocos, divididas por áreas: agronegócios, desenvolvimento agropecuário, desenvolvimento agrário, agricultura familiar, desenvolvimento da irrigação, aqüicultura e pesca e defesa agropecuária. Para Sampaio, diversas ações nestes setores devem ser realizadas por um viés transversal, a partir de parcerias com outras secretarias estaduais. “Não adianta pensar uma política agrícola sustentável sem boas estradas, energia para a produção de grãos e a criação de aves. Sem o envolvimento de outras áreas não temos como obter sucesso no fomento de muitas políticas”, afirmou.

Para o agronegócio, a sugestão da Seagri para os próximos 13 anos é implantar o Pólo de Indústria têxtil, já que a Bahia é o segundo maior produtor de algodão no Brasil e quase todo o produto é processado no Ceará; tornar o Estado um pólo de exportação de carne, já que a produção baiana é de alta qualidade, e garantir a ampliação da produção de biocombustíveis. “O Estado tem potencial para exportar o etanol, aumentar a produção de leguminosas e frutas subtropicais para além da Chapada Diamantina. Queremos também ampliar a produção de algodão para o sudoeste baiano, especialmente através da Agricultura Familiar”, destacou o superintendente.

O desenvolvimento agropecuário será feito visando a autosuficiência na produção de borracha natural, a recuperação da produtividade do cacau e a liderança da produção de citros no país, que hoje está com o estado de São Paulo. “Queremos, também, estimular o consumo das flores e plantas ornamentais que produzimos, porque só consumimos cerca de 20% delas, e garantir a autosuficiência na produção de leite e carne, com parcerias com a Associação dos Produtores de Leite e a partir da descentralização dos abates”, afirmou.

Outras questões relacionadas ao desenvolvimento agropecuário que, segundo os técnicos da Seagri, devem ser incorporadas ao Plano Bahia 2023 são a regionalização e a descentralização do Parque Frigorífico do Estado; a modernização e regionalização do Parque Industrial de Laticínios; a ampliação da escala de produção de frutas, com destaque para a exportação do produto; a prospecção de mercados para a produção baiana de fibras naturais; a consolidação da produção de café de qualidade; o fortalecimento da cana de açúcar e de seus derivados e o desenvolvimento da bubalinocultura. “Somos o primeiro estado produtor de carne caprina e o segundo produtor de carne ovina no país e nosso consumo ainda é baixo para a qualidade do rebanho que temos. Para 2023, queremos elevar o consumo desse tipo de carne”, informou Raimundo Sampaio.

Para os próximos anos, o superintendente de Políticas do Agronegócio afirmou que o Estado deve continuar atendendo agricultores familiares, com regularização da posse de terras, e consolidar a política de reforma Agrária do Estado, apoiando desenvolvimento agrário sustentável. “A intenção é ampliar as ações de regularização fundiária no Estado, com vistas a regularizar 20 milhões de hectares e atingir 40 % do território baiano”, disse o superintendente. Programas como o Crédito Fundiário devem ser dinamizados e as ações de regularização fundiária e infraestrutura nas comunidades tradicionais devem receber maior apoio.

Baseada na importância da Agricultura Familar, a Seagri desenvolveu um plano específico para o setor até 2023. Nele, constam o fortalecimento da organização social dos agricultores familiares, o fomento às principais cadeias produtivas, a universalização do serviço de assistência técnica e extensão rural, e a implantação de unidades de beneficiamento e promoção da comercialização dos produtos da agricultura familiar em sistemas de rede.

Para a aqüicultura e pesca, Raimundo Sampaio apresentou, como metas, a consolidação dos pólos de aqüicultura e pesca, da rede de comercialização do pescado e do plano estratégico estadual para o desenvolvimento da pesca e da aqüicultura. “É fundamental uma forte interação com os governos federal e municipais e com as entidades representativas da classe para que seja possível estruturar melhor  programas de avaliação, monitoramento, ordenamento, parques aqüícolas, licenciamento ambiental, outorga água e cessão de uso da água”, afirmou, sugerindo a implantação de um programa intensivo de cursos técnico- profissionalizantes para o setor e a incorporação de novas espécies na aquicultura.

Por fim, Sampaio abordou as políticas de irrigação e defesa agropecuária. “É possível, até 2023, elevar as áreas públicas irrigadas de 5 mil para 50 mil hectares de terras irrigadas na Bahia, fomentar a implantação de perímetros públicos e privados e ter todos eles já implantados, em plena operação, promovendo geração de renda e desenvolvimento regional”, explicou, destacando a importância de executar um Plano Estadual de irrigação, integrando todo a rede de projetos irrigados.

Para a defesa agropecuária, as metas são o cadastramento de todas as propriedades rurais, a inspeção dos produtos de origem animal, a extinção do abate clandestino e uma campanha permanente de conscientização e de educação sanitária. “Pode contribuir com essas ações o desenvolvimento do sistema de fiscalização via satélite em todo o Estado da Bahia, permitindo o efetivo mapeamento zoofitossanitário das propriedades agropecuárias com foco na rastreabilidade dos produtos”, concluiu.

Galeria: