Commodities Agrícolas
Contratos alavancados.
A desvalorização do dólar e o novo ânimo do mercado financeiro puxaram os futuros do açúcar negociados, ontem, no mercado internacional. A commodity registrou a maior alta em quase três semanas nas bolsas de Nova York e em Londres. "Após mais de três semanas de queda nos preços, os contratos de açúcar não mais refletem a demanda e a oferta", afirmou Jake Wetherall, trader do Rabobank International, em entrevista à agência Bloomberg. Em Nova York, os papéis com vencimento em outubro fecharam o dia cotados a 14,82 centavos por libra-peso, com alta de 42 pontos. No mercado interno, a saca de 50 quilos do açúcar fechou a R$ 46,07, com recuo diário de 2,79%, de acordo com o indicador Cepea/Esalq. No mês, a commodity acumula queda de 14,89%.
Voltando ao eixo.
Os contratos futuros do cacau para entrega em julho subiram US$ 61 ontem na bolsa de Nova York, encerrando o dia a US$ 3.077 por tonelada. Segundo a Dow Jones, o movimento altista se deveu à queda do dólar e aos ganhos em Wall Street, além das boas repercussões com o anúncio do pacote econômico de € 750 milhões endossado pela União Europeia e pelo FMI para o continente - valor muito maior que o esperado. Na sexta, a preocupação com a situação europeia derrubou a amêndoa para o menor preço em três semanas. "O mercado de cacau está tentando voltar ao eixo", disse à agência Boyd Cruel, analista-sênior de mercado da Vision Financial Markets. Em Ilhéus e Itabuna, a arroba ficou em R$ 89,00, segundo a Central Nacional dos Produtores de Cacau.
China compra mais.
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou ontem, em seu website, que a China deverá importar 14,7 milhões de fardos de algodão no ano fiscal que terá início em agosto, contra a estimativa de 11,48 milhões de fardos no ano fiscal corrente. A demanda mundial pela pluma, por sua vez, deverá registrar uma alta de 46,85 milhões de fardos para 50,06 milhões. As informações contribuíram para a alavancagem da commodity no mercado internacional, ontem. Na bolsa de Nova York, os contratos futuros do algodão, para entrega em outubro, encerraram cotados em 79,14 centavos de dólar por libra-peso, com alta de 84 pontos. Já no mercado interno, a libra-peso da pluma ficou em R$ 1,5955, com queda diária de 0,41%, segundo o Cepea/Esalq.
Novo recuo.
Os preços futuros do trigo registraram ontem a maior queda em quase três semanas. O recuo se deu em meio a previsões de aumento na oferta mundial e também o clima favorável nos EUA, o maior produtor do cereal. Segundo informações do USDA, os estoques internacionais de trigo deverão totalizar 195,8 milhões de toneladas em 31 de maio, alta de 19% em relação ao ano passado. "O temor com o frio também passou e a colheita parece bem", disse Louise Gartner, da Spectrum Commodities, em Ohio. Com isso, os papéis para entrega em julho, negociados em Chicago, fecharam com queda de 17,75 centavos, a US$ 4,9275 por bushel. Em Kansas, a queda foi de 13 centavos, para US$ 5,08. No mercado paranaense, a saca de 60 quilos ficou em R$ 23,36, segundo o Deral.