Commodities Agrícolas
Ceticismo no mercado
Os contratos futuros do café arábica com entrega para setembro encerraram o pregão de ontem, na bolsa de Nova York, com queda de 180 pontos, para US$ 1,3380 por libra-peso. Mais uma vez, vendas especulativas relacionadas a temores com a crise europeia nortearam os negócios. Os investidores continuam céticos em relação ao plano de quase US$ 1 trilhão para impedir que o buraco da dívida da Grécia atinja outros países. O contágio poderia minar a demanda por commodities, acreditam os analistas. O apetite menor no mercado financeiro também influenciou o resultado. No mercado interno, a saca de 60 quilos do café ficou em R$ 288,08, com alta diária de 0,22%, de acordo com o indicador Cepea/Esalq. No mês, a commodity acumula alta de 1,56%.
Tensão europeia
Os preços futuros do cacau caíram ontem pela primeira vez nesta semana em Nova York diante de temores de que a crise financeira na Europa possa se espalhar e reduzir a demanda dos investidores por commodities. "Elementos externos estão pressionando todo o espectro de commodities", afirmou Phil Streible, estrategista-sênior de mercado da Lind-Waldock, em entrevista à Bloomberg. Na bolsa de Nova York, os contratos com vencimento em setembro fecharam com recuo de US$ 20, para US$ 2.856 a tonelada. Em Londres, os contratos com mesmo vencimento recuaram 5 libras para 2.231 libras por tonelada. Em Ilhéus e Itabuna, o preço médio da arroba ficou em R$ 84,00, segundo informou a Central Nacional dos Produtores de Cacau.
Safra minguada
Especulações de que as safras de laranja no Brasil e nos EUA (os dois maiores produtores mundiais) possam registrar declínio impulsionaram o suco de laranja ontem em Nova York. Segundo a Universidade Estadual da Flórida, os EUA têm 89% de chance de ser atingidos por pelo menos um furacão nos próximos meses, o que provocaria prejuízos à próxima safra. O governo americano pode reduzir a expectativa de colheita para o segundo menor volume em duas décadas. No Brasil, as principais regiões produtoras deverão colher 286 milhões de caixas, o menor resultado desde 2003. Com isso, os papéis com vencimento em setembro subiram 155 pontos, para US$ 1,4680 por libra-peso em Nova York. No Brasil, a caixa de 40,8 quilos fechou a R$ 13,00, segundo o Cepea/Esalq.
China vai às compras
Os contratos futuros do algodão registraram ontem a maior alta em quase três semanas na bolsa de Nova York. Papéis com entrega em outubro fecharam a 78,26 centavos de dólar por libra-peso, ganho de 49 pontos. De acordo com analistas citados pela Dow Jones, o resultado se deveu às compras da China e a temores de que o mau tempo possa interferir na produção de partes do país. "Vimos compras contínuas das beneficiadoras chinesas", afirmou Sharon Johnson, analista-sênior de algodão da First Capitol Group, de Atlanta. Embora Pequim tenha restringido as compras externas da fibra, o país periodicamente estabelece cotas de importação. No mercado interno, a libra-peso ficou em R$ 1,5634, com queda diária de 0,47%, segundo o indicador Cepea/Esalq.