Pensar a Bahia debate territórios de identidade
Quatrocentas pessoas participaram da quinta edição do ciclo de debates Pensar a Bahia, que teve como tema central os territórios de identidade como modelo de governança.
Promovido pela Secretaria do Planejamento (Seplan), o ciclo faz parte do Plano Bahia 2023, documento que está sendo elaborado como estratégia de planejamento de longo prazo para a Bahia tendo como horizonte o ano em que o estado comemora seus 200 anos de independência.
Na abertura dos trabalhos, anteontem, o economista e professor Ignacy Sachs, especialista internacional em Desenvolvimento Sustentável, falou por videoconferência da necessidade de um diagnóstico participativo e factível. "Se a nossa espécie tem a capacidade de pensar o futuro, tem também a capacidade de mudá-lo".
Segundo o especialista, a economia público-privada exige um planejamento com associação entre um Estado proativo, empresários, trabalhadores e a sociedade civil organizada no desenvolvimento de um diagnóstico com a hierarquização das urgências e a identificação dos potenciais ainda não destravados de recursos naturais. "A partir daí, será possível construir planos de desenvolvimento que obedeçam a critérios de ética social, condicionalidade ambiental e viabilidade econômica".
O secretário de Desenvolvimento Territorial do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Humberto Oliveira, defendeu o território como plataforma de gestão de políticas públicas. "A Bahia saiu na frente na adoção da territorialidade, servindo de exemplo para diversos estados seguirem esta direção e superarem a visão setorial de governo, a partir de ações integradas".
Oliveira defendeu os colegiados como referência de organização na gestão dos territórios e acredita que os mesmos são fundamentais para ampliar a participação da sociedade civil na gestão das políticas públicas.
O primeiro tema da tarde foi a Interiorização e distribuição da riqueza e do desenvolvimento regional, redes e organização territorial, a Bahia rural e o desenvolvimento sustentável. Para o presidente do Conselho de Segurança Alimentar (Consea/BA), Naldison Baptista, é preciso refletir sobre a política de desenvolvimento que queremos.
"Uma das reflexões a serem realizadas é que ainda hoje há um desenvolvimento rural baseado na concentração de terras e riquezas e na destruição dos recursos naturais. Apesar da redução desta visão, ela ainda persiste. Temos que lutar para reconhecer e valorizar os espaços rurais como espaços de vida, o que é estratégico" afirmou Baptista.
Apesar de ainda serem necessários ajustes no processo de diálogo entre governo e sociedade e na política de desenvolvimento territorial baiana e brasileira, o professor da Universidade Federal do ABC (UFABC), Arilson Favareto, comenta a evolução desse processo, no Pensar a Bahia.