Tecnologia eleva competitividade dos grãos
Produtores de grãos do Oeste baiano conseguiram atingir um modelo de tecnologia que hoje chega a um nível competitivo equivalente aos grandes agricultores de grãos do mundo. Isto se reflete na colheita deste ano, que registrou 3,213 milhões de toneladas de soja, 28% a mais do que a safra passada, que foi de 2,5 milhões de toneladas. Além disso, a safra de milho atingiu 1,4 milhão de toneladas, 190 sacas por hectare, e a de algodão, 300 arrobas por hectare.
Ontem à tarde, em visita à Tribuna da Bahia, Walter Horita, presidente da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), acompanhado de Nelson Taboada, produtor de grãos, e Marcelo Thomas Cazumi, produtor e assessor imobiliário de Horita, conversaram com o diretor de Redação, Paulo Roberto Sampaio, sobre o potencial produtivo do cerrado, que hoje alcança níveis altos a custa de muito investimento tecnológico dos produtores locais.
“Quando cheguei a Barreiras, em 1984, não havia nenhuma tecnologia, apenas o fator climático favorecia o plantio de grão. Entretanto, é importante ressaltar que a agricultura não depende só de fatores climáticos, precisamos investir em minerais para o solo, material genético, equipamentos, mão de obra, enfim, a vida de agricultor não é fácil, temos que criar uma estrutura pessoal, para lidar com as adversidades. Quando cheguei lá, há 26 anos, só eram produzidas 14 sacas por hectare, e hoje chegamos a 70. Este crescimento está ligado aos investimentos tecnológicos, sem os quais não seria possível”, explica o presidente da Aiba.
Walter ressalta que a soja - assim como o milho e o algodão - depende não só de fatores climáticos. “O arroz exige menos fertilidade natural que a soja, o milho e o algodão respectivamente, que exigem mais minerais do solo em relação à soja, portanto tivemos que criar condições para esta terra ter potencial para produzir algodão, afinal, se a terra estiver apta para algodão, vai estar para o plantio de milho e soja”.
A geração de empregos também é uma marca da agricultura na região, Barreiras, Riachão das Neves, Luís Eduardo Magalhães, São Desidério e Formosa do Rio Preto, que somam uma população de cerca de 350 mil habitantes, têm 40 mil diretamente trabalhando com agricultura.
“O desenvolvimento local está muito ligado à agricultura. Luís Eduardo Magalhães, que é município novo, com apenas 10 anos de fundação, representa bem esse desenvolvimento local: hoje, além de um grande crescimento imobiliário, o município dispõe inclusive de faculdades particulares”, enfatizou Nelson Taboada.
Em relação aos investidores estrangeiros, Horita foi categórico, afirmando que não é contra investimento de fora do País. “Todos têm o direito de ir e vir, e investir onde achar pertinente, no entanto o brasileiro tem mania de valorizar o que vem de fora em detrimento dele próprio. Esses grupos geralmente encaram aquisição de terra como um mero investimento, enquanto o produtor local tem interesse em valorizar sua terra. Portanto, tem que haver maior investimento nos produtores locais, a partir da verticalização da cadeia produtiva, incentivo ao desenvolvimento agroindústrias, construção de granjeiro, enfim políticas que facilitem agro-négocios” finaliza Horita.