Índios da tribo Pataxó são capacitados para a pesca em alto mar

07/07/2010

Índios da tribo Pataxó são capacitados para a pesca em alto mar

 

Aproveitando as relações diretas e a responsabilidade individual que remete às comunidades indígenas, a Secretaria estadual de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza (Sedes), por meio do projeto Pescando Renda e da Superintendência de Inclusão e Assistência Alimentar (SIAA), está capacitando cinco membros da tribo Pataxó, em Coroa Vermelha, próximo a Porto Seguro, no sul do estado, e também a pescadora profissional Alessandra Godinho, única mulher da Bahia a pescar em mar aberto.

Estes pescadores vão atuar como agentes multiplicadores nas suas comunidades. Conhecimentos sobre navegação oceânica, equipamentos náuticos, funcionamento e manutenção de motores, carta náutica, uso do GPS, além de manutenção de fibra de vidro serão postos em prática em duas embarcações completas de pesca oceânica doadas pela Sedes, em cumprimento ao Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado, em 2005, com o Ministério Público Federal (MPF), e cumprido pelo Governo do Estado este ano.

A capacitação continua até o dia 12 deste mês, no Estaleiro da Fundipesca, em Camaçari, das 8 às 12h, e das 14 às 17h, e ensinará aos pescadores a manejar e manter as embarcações. Alessandra Godinho, 26 anos, a Dandinha, não faz parte da tribo, mas sua vasta experiência na pesca e a paixão pelo mar garantiu a participação no projeto.

Primeira colônia – Dandinha integra a primeira colônia de pescadores do Brasil, localizada no bairro Rio Vermelho, em Salvador, e desde cedo aproveitava as idas do pai ao local para, na beira da praia, pescar de tarrafa. Com a precisão e o cuidado que só as mulheres têm, ela vai dando forma ao saveiro, que será seu ao final do curso.

"Vou ter duas profissões. Nunca pensei em ter uma oportunidade dessas. Agora, não só pescando, mas construindo também. Eu utilizava uma embarcação de madeira com pouca estrutura. Ficava três dias no mar, com um barquinho onde entrava água, e era o maior aperto, pois dormia encolhidinha na proa. Imagine agora! Vou ter beliche, tecnologia, e poder levar mais três colegas", comemora Alessandra.

Conhecimentos – O índio Tatuí, registrado como Aloísio Matos, de cocar na cabeça, mas sem deixar de usar todos os equipamentos de proteção individual, vai dando os acabamentos finais às embarcações batizadas de Apipe I e II, alusão à Associação de Pescadores Indígenas Pataxó. O presidente da associação que, mesmo não sendo cacique, é um líder nato, destaca a importância de valorizar esses conhecimentos para disseminar o conteúdo aprendido.

"Anos atrás, alguns dos nossos filhos tinham vergonha de dizer que seus pais eram pescadores. Hoje, com a criação do Ministério da Pesca, essa classe vem se valorizando e, de fato, sendo valorizada. Uma classe que produz 65% do pescado de todo o mercado, sem desagradar o meio ambiente", ressalta Tatuí.

Em 12 dias, as embarcações estarão sendo utilizadas por 48 pescadores. Em um mês, cerca de 120 pescadores estarão atuando em rodízio na pesca.

Direitos dos Povos Indígenas – Os 29 integrantes do Conselho Estadual dos Direitos dos Povos Indígenas da Bahia (Copiba), instituído pela Lei no 11.897/2010, foram empossados no dia 1o. Os conselheiros – 14 de tribos indígenas e 15 de secretarias do Estado – terão a missão de acompanhar, fiscalizar e avaliar programas e ações governamentais para os povos e ajudar a formular diretrizes para a Política Estadual de Proteção aos Povos Indígenas.

Aproximadamente, 30 mil índios vivem no território baiano, distribuídos em 76 aldeias. O desafio do governo é melhorar indicadores sociais em áreas como saúde, educação e demarcação e regularização fundiária das terras indígenas. Uma das funções do conselho será propor projetos para essas áreas e também para cultura, saneamento, habitação e agricultura.

 

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