Tecnologia ajuda a driblar ações climáticas

19/07/2010

Tecnologia ajuda a driblar ações climáticas

 


Maçãs cultivadas na Chapada Diamantina, a partir de um processo de melhoramento genético. Café produzido, no oeste baiano, e cenouras, em Irecê, por meio da técnica de irrigação  via pivô central.

Frutas, como manga e uva cultivadas na região semiárida com sistemas de irrigação e até pasto irrigado no sudoeste do Estado. São alguns exemplos que atestam que o uso de tecnologias adequadas podem driblar adversidades climáticas, diversificar a produção e trazer lucro aos produtores.

Plantio direto ou na palha, sistemas de irrigação, macrodrenagem e mecanismos de melhoramento genético são algumas das alternativas indicadas pelos especialistas.

Seca no Nordeste - No caso do clima seco, predominante na região Nordeste do País, o sistema de irrigação é a tecnologia mais utilizada. É o caso do Vale do São Francisco, onde a fruticultura irrigada -  iniciada na década de 60 - se tornou o grande potencial da região, marcada pelo clima seco e solos com baixa fertilidade.

Atualmente, os Perímetros Públicos Irrigados do Polo Juazeiro (BA)/Petrolina (PE) são responsáveis por 60% da manga (61 mil t) e 50% da uva de mesa (47 mil t) exportadas pelo Brasil, o que representa cerca de US$ 138 milhões, de acordo com Frederico Calazans, secretário-executivo da área de gestão de irrigação da Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf).

No oeste baiano - região que se destaca pela produção de algodão (1/3 do mercado brasileiro) -, o café irrigado via pivô central começou a ser cultivado em 1994. São 15 mil hectares, num total de 130 pivôs instalados. A experiência é uma novidade no cenário mundial e a produção anual é de cerca de 35 mil toneladas, segundo o diretor-executivo da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), Alex Rasia.

Aquecimento global No entanto, as mudanças climáticas globais podem afetar drasticamente os sistemas de irrigação, como alerta o pesquisador da Unicamp (SP), Hilton Pinto. Os estudos apontam para uma grande diminuição da vasão dos rios, o que dificultará a irrigação. “Em 20 anos, a projeção é que o Rio São Francisco tenha queda de vasão de até 25%, por exemplo”, destaca.

Investir em mecanismos de melhoramento genético para desenvolver plantas tolerantes ao clima seco pode ser um caminho para enfrentar os problemas decorrentes do aquecimento global.

Galeria: