Tecnologia e fatores naturais dão sabor típico à manga e uva do São Francisco

11/08/2010

Tecnologia e fatores naturais dão sabor típico à manga e uva do São Francisco

 

Responsáveis por um terço da exportação brasileira de frutas, os produtores do Vale do Submédio São Francisco se preparam para aperfeiçoar ainda mais a produção. Nos próximos meses as frutas comercializadas receberão o selo de indicação geográfica, concedido pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). A garantia valerá tanto para o mercado externo quanto o nacional, mas a expectativa é que a aceitação internacional seja maior, segundo os produtores da área de 127 mil km² localizada no Semi-Árido do Nordeste do Brasil, a oeste do estado de Pernambuco e norte da Bahia.

"O Brasil exporta uva e manga para o mercado americano e europeu. Parte importante dessas exportações vêm do Vale do São Francisco. O selo será muito importante para certificar a qualidade e também vai dar uma nova conotação no mercado interno. Estamos com grandes perspectivas com essa normatização e o inicio do uso", afirma o vice-presidente da União das Associações e Cooperativas dos Produtores de Uvas de Mesa e Mangas do Vale do Submédio, Arthur de Souza.

As duas frutas são beneficiadas por fatores naturais como a quantidade de radiação solar, o número de horas de insolação, a umidade relativa do ar, a irrigação pelas águas do rio São Francisco, além da tecnologia utilizada no manejo que assegura níveis elevados de produtividade. São 800 mil toneladas por ano de uvas de mesa e mangas.

A obtenção do selo vai garantir aos produtores maior visibilidade no mercado, segundo ressalta o coordenador-geral de Apoio às Câmaras Setoriais e Temáticas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) Aguinaldo José de Lima. "Com o selo, os agricultores podem fazer trabalhos conjuntos de gestão de produção, de qualidade, de recursos e de marketing. A partir daí surgem benefícios junto aos consumidores", afirma.

Estratégia de Marketing

A analista técnica do Sebrae Hulda Giesbrecht observa que "a conquista do selo de indicação geográfica pode ser utilizada como estratégia de marketing por empresários brasileiros. Na Europa, há empresas que fabricam iogurtes apenas com frutas com registro de procedência", exemplifica Hulda.

A Região do Vale do Submédio São Francisco é uma das sete áreas brasileiras que têm o selo de indicação geográfica. Também conquistaram o selo a carne bovina do Pampa Gaúcho da Campanha Meridional, a Cachaça de Paraty, o couro acabado do Vale dos Sinos, o vinho do Vale dos Vinhedos, o café da Região do Cerrado Mineiro e o vinho de Pinto Bandeira. Outros 24 pedidos tramitam no INPI.

Para ajudar os empreendedores a profissionalizar seus negócios, o Sebrae recebeu até 14 de julho de 2010 inscrições para a Encomenda de Projetos de Apoio à Gestão das Indicações Geográficas Registradas e Depositadas. A iniciativa tem o objetivo de selecionar associações e cooperativas que receberão apoio financeiro do Sebrae para implementar projetos de melhoria da gestão. O valor máximo a ser repassado pelo Sebrae é de R$ 200 mil por projeto. O recurso deve ser utilizado para melhorar a gestão do negócio.

Mais informações
Central de Relacionamento do Sebrae
Telefone: 0800-570-0800

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