Congresso de Heveicultura fecha com bastante sucesso
Foto: Luiz Alberto Alves
O agricultor familiar Masedon Inácio festejou as lições recebidas durante o II Congresso Brasileiro de Heveicultura que se encerrou nesta quinta-feira, 12, contando sucesso de mais de 750 participantes, elevado nível científico, diversidade de temas e organização impecável. A apresentação de variedades clonais, o uso da biologia molecular no melhoramento genético da seringueira e o controle de pragas marcaram as últimas palestras do evento no Centro de Convenções Luis Eduardo Magalhães, em Ilhéus, a 367 quilômetros de Salvador.
Antes da viagem de volta à sua propriedade em Guaratinga, no Extremo-Sul da Bahia, Masedon classificou o congresso como oportunidade única para ampliar o conhecimento sobre sistemas agroflorestais (SAFs) e aprimorar seu trabalho de substituição de eritrinas por seringueiras no sombreamento da lavoura de cacau. “O cultivo de seringueiras é boa alternativa também para se ter mais renda, já que quando em produção complementa o cacau”, disse o agricultor, que é assistido pelos técnicos do Escritório Local do Centro de Extensão da Ceplac no município.
O intercâmbio de experiências entre seringalistas mereceu elogios do representante da Federação da Agricultura do Espírito Santo José Manoel de Castro para quem a temática foi interessante não só aos pesquisadores e extensionistas, mas alcançou os participantes particularmente os produtores de borracha natural. O gerente agronômico da Agrícola Canta Cantagalo S/A Aguimael Eloi de Abreu também se disse satisfeito, principalmente porque a empresa já desenvolve sistemas agroflorestais de consorciação de seringueiras e cacaueiros nas fazendas Porto Seguro, em Uruçuca, e Modelo, em Ituberá.
Ao fazer sua avaliação, o presidente do II Congresso Brasileiro de Heveicultura, Adonias de Castro Filho, enfatizou que o evento ficou acima das expectativas, principalmente pela participação dos congressistas no debate dos temas. “A Bahia está de parabéns pelo evento que reabriu as discussões sobre o setor de borracha natural e reafirmou o interesse da cadeia produtiva na pesquisa para elevar o nível de produtividade e o Brasil alcançar os melhores centros produtores de borracha no mundo”, comentou, comemorando o fato de o II CBH ter sido a oportunidade para a reativação da associação de produtores de borracha natural, que será órgão legitimo de encaminhamento das principais demandas do setor ao Governo.
Na parte da manhã dois novos clones de seringueiras resistentes às principais doenças e com produtividade acima de três mil quilos de látex por hectare/ano (RRIM 2007 e RRIM 3001) foram apresentados pelo pesquisador e consultor malaio Ramli Othman. Os clones integram a série de 12 selecionada pelo Instituto da Borracha da Malásia (The International Rubber Research and Development Board - IRRDB).
O professor doutor Ramli informou que os dois clones são excelentes na produção de látex – matéria-prima da borracha natural – e de grande utilidade para “madeira verde” para fabricação de móveis residenciais após 30 anos, quando são substituídos no campo. Como características, os clones RRIM 2007 e 3001 são grandes, fortes e de fácil manejo, além de permitirem sangria aos 4,5 anos. “Os primeiros clones lançados no século passado, tiveram produção de 400 kg/ha/ano na produção de látex enquanto aqueles lançados atualmente alcançam três mil quilos por hectare ano”, afirmou aos congressistas.
Na palestra, traduzida pelo professor e pesquisador da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uec), Dário Ahnert, o consultor Ramli Othmann afirmou que a reprodução de seringueiras tem contribuído enormemente para o desenvolvimento de muitos clones de sucesso rendendo clones para madeira plantada (“madeira verde”) e látex em plantações de seringueiras convencionais e plantios de florestas, tornando-as cada vez mais competitiva e atraente. O pesquisador também mencionou, ao concluir, a perspectiva de uso do látex na produção de produtos farmacêuticos, como cateteres, enxerto de pele etc., com ótimos resultados.
A excelência de produtividade do clone SIAL 1005 selecionado pelo Centro de Pesquisas do Cacau da Ceplac foi tema apresentado pelo pesquisador José Raimundo Bonadie Marques que falou de melhoramento genético e defendeu o uso da biologia molecular no desenvolvimento de variedades clonais superiores de seringueiras com copas adequadas e densidade foliar baixa. Outros palestrantes sobre a mesma temática foram Paulo de Sousa Gonçales, do IAC; e Carlos Raimundo Reis Mattos, da Plantações Michellin da Bahia. Durante os três dias foram prestadas homenagens à personalidades cujo trabalho científico na produção de borracha natural merece reconhecimento da sociedade brasileira.
Nesta sexta-feira, 13, acontecem as visitas técnicas às áreas de seringueiras da Plantações Michellin da Bahia, em Igrapiúna, e na Superintendência da Ceplac no Estado da Bahia, Km 22 da rodovia BR-415 – Jorge Amado, entre Ilhéus e Itabuna. O evento contou participantes do Acre (3), Amazonas (16), Bahia (240), Espírito Santo (27), Goiás (7), Mato Grosso (4), Minas Gerais (8), Rio de Janeiro (3), Rondônia (5), São Paulo (45) e Tocantins (5), caravanas de agricultores de Ituberá, Ibirapítanga, Teolândia, Nilo Peçanha e Camamú e de países como Colômbia, Guatemala, México, Espanha, França e Malásia.
O II CBH foi promovido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, através da Ceplac, Seagri, Adab e EBDA, Uesc, Plantações Michelin da Bahia e Instituto Cabruca. Teve o apoio do Sebrae, Senar, Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (Faeb), Banco do Brasil, Banco do Nordeste, Lateks, Amurc, Senar, Fazendas Reunidas Vale do Juliana, Agro Industrial Ituberá, Abiarb, Capes, Borracha Natural, Icaubor, Cooprobores, Fazenda Batalha, Bahiatursa,, Apabor e M21 – Comunicação, Marketing e Eventos.
Fonte:
Jornalista ACS/Ceplac/Sueba
Luiz Conceição