Mercado Potencial de Flores tem alto potencial de crescimento

23/08/2010

Mercado Potencial de Flores tem alto potencial de crescimento

 

 

O que rende mais:o cultivode flores ou o de frutas cítricas? Se a flor é tropical, a rentabilidade em relação a laranjas, por exemplo, pode ser até cinco vezes maior. Por causa disto e da crescente procura dentro e fora do Brasil – de mercados como São Paulo e Santa Catarina e até do Chile e da Argentina –, espécies como as helicônias, alpínias, zinzibers e musáceas apresentam forte potencial de crescimento no Nordeste.Em Pernambuco, a demanda fez o Estado iniciar a produção exclusivamente voltada para a exportação. Na Bahia, o cultivo destas espécies, iniciado há cerca de quatro anos no Recôncavo e no Baixo Sul, abastece apenas o mercado local e representa 10% do de flores no Estado, cuja cadeia produtiva movimenta R$ 130 milhões.

“Ainda não exportamos porque não temos escala de produção ”, explica o coordenador do Programa Flores da Bahia, Ivson Andrade. Mas a forte demanda já começa a atrair investidores. Segundo Andrade, estas plantas consideradas exóticas que não podem ser cultivadas em climatemperado têmalto valor agregado. E a relação custobenefício compensa: um produtor de flores pode chegar a faturar até R$ 20 mil por mês.

De olho neste rendimento, há quatro anos o microempresário Dirceu Bittencourt trocou a criação de aves pelo cultivo de flores tropicais em Cachoeira. Começou comum hectare e 12 variedades de flores e folhagens. Hoje, trabalha comercialmente com 60 tipos de plantas e possuiuma coleção de cerca de 90 espécies distribuídas em cinco hectares.

Novidade em uma região dedicada à agricultura de subsistência, avicultura e mandioca, a floricultura se mostra uma boa alternativa.

A produção de Bittencourt, por exemplo, – formada por 70% de flores e 30% de folhagens – é vendida a hotéis, restaurantes, floriculturas.

“Hoje não tenho outra fonte de renda”, revela o produtor, pioneiro no cultivo na região.

Por semana, são retiradas mil hastes. “Trabalho com o que chamamos de assinatura de arranjos, na decoração de hotéis e reposição dos arranjos.

Temos um clima propício e possuo irrigação. Paramim,o cultivodeflores émelhorque a avicultura”, descreveu.

Dirceu Bittencourt fatura mensalmente R$ 15 mil. Ele investiu R$ 120 mil na atividade, queincluiu a adaptação do aviário para o packing house(áreadebeneficiamento das flores).Aesposadoempresário, JaciAraújo, trabalha com arranjos florais, cursos e oficinas. “Um florista ganha uma diária de R$ 150. É uma mão-de-obra cara e difícil de achar”, disse ela.

Demanda Na Bahia há em torno de 400 hectares plantados de flores, divididos em duas regiões produtoras. Uma delas é a Chapada Diamantina, de onde se destaca o município de Maracás, maior produtor de flores do Estado, com o cultivo de espécies subtropicais, comoas rosas.Umaprodução queatende a30%domercado baiano deste tipo de planta.

Outra parte da produção é a de flores tropicais, abrangendo o Recôncavo e o Sul da Bahia. Este mercado é 100% abastecido pela produção local, mas ainda há a lacuna da demanda externa. Pernambuco, o produtor mais próximo, abastece mercados do Sudeste e o de exportação.

Outras culturas O coordenador do Flores da Bahia ressalta que esta é uma das culturas que têmmelhor valor agregado se comparada com outras presentes na região, como café, soja e cacau.

“Na relação custo-benefício, laranja e flor numa mesma área, a flor dá o quintuplo do rendimento”, explica Ivson Andrade. Entre as vantagens competitivas da Bahia para a produção de flores estão a combinação entre clima e solo favoráveis, mão-de-obra disponível, além da cultura diversificada em espécies. É que, além das flores, as folhagens representam até 60% em um arranjo.

Segundo o IBGE, a atividade emprega em média duas vezes mais que a agropecuária.

Na Bahia, a cadeia produtiva das flores gera 10 mil empregos diretos. “As floriculturas, que são mais de 600, possuem ao menos cinco funcionários. Cada passo é um profissional”. A maior parte da produção é vendida nogalpãodoprogramaFlores da Bahia, em Narandiba, em Salvador. A expectativa, segundo Andrade, é de transformar este espaço em um grande mercado estadual de flores. “A construção das câmaras frias e da infraestrutura de armazenagem será feita conforme a demanda”.

DICAS IMPORTANTES

Antes de plantar Levantar o potencial e a logística do município e da região Espécies A escolha deve respeitar aspectos como solo e clima do local Custo inicial Estimado em cerca de R$ 50 mil para um hectare Rendimento Até 70 mil hastes por hectare Mão de obra A diária de um florista custa, em média, R$ 150 Preço final Um arranjo varia de R$ 16 até R$ 300 para o consumidor.

Fonte: A Tarde

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