Alta do trigo deixará massas e biscoitos mais caros em setembro
O aumento do preço do trigo no mercado internacional pesará no bolso do consumidor baiano a partir de setembro.
A maior alta deve ser nopreço das massas, em torno de 20%, eosbiscoitosdevemficar10% mais caros. A dúvida é sobre o pão francês, o popular pãozinho, que ainda não aumentou, apesar de a farinha de trigo, principal ingrediente da receita, ter sofrido alta de 43% de julho para cá.
O presidente do Sindicato da Indústria da Panificação e Confeitaria de Salvador, Mário Pithon, explica que a variação no preço da farinha de trigo é muito grande e que o mercado prefere absorver esta alta até que o valor se estabilize. “Se continuar neste patamar, o aumento do pãozinho é justificável”, disse.
Amaiorpreocupaçãodosetor, segundo ele, é com a tendência de desabastecimento sinalizada esta semana. Fornecedores de farinha de trigo estãocomestoquesembaixa, e alguns produtos, como a farinha integral, começaram a faltar. “Estou neste mercado há 15 anos e nunca vi faltar produto”, afirma Pithon.
A expectativa das empresasdosetoréque, comoiníci da safra de trigo no hemisfério sul, o abastecimento melhore, gerando a regulação dos preços. Isto porque o Brasil recebe, no primeiro semestre, trigo do Canadá e, no segundo, o produto colhido no Sul do País e na Argentina.
Pouco compra da Rússia, principalfocodacrise,devido àperdadacolheitanaondade calor e incêndios.Mascomoo preço é regulado pelo mercado internacional, está sofrendo o impacto.
O presidente do Sindicato da Indústria do Trigo, Milho e Massas da Bahia, Antônio Ricardo Alvarez Alban, afirma que não acredita em movimento de especulação para tirar o produto do mercado.
Alban reconhece, entretanto, quea regulação dos preços só deve ocorrer em um prazo aproximado de oito meses.
“Aindanãosabemosadimensão da quebra de safra daRússia, mas a próxima só será no ano que vem”, justifica.
Consumo médio Obrasileiroconsome,emmédia, 6 kg de pão por mês, segundo estimativa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Na Bahia, o alimento representa 15% do custo da cesta básica para quem ganha um salário mínimo (R$ 510).
“A variação do trigo é importante porque só este produtorepresenta30% docusto de produção do pãozinho”, explica a economista do Dieese, Nádia Vieira.
A auxiliar de enfermagem Josete Moreira conta que, apesar de se esforçar para reduzir o consumo de pão, não dispensa o alimento, mesmo quando ele sobe de preço.
Quem concorda com ela é o aposentado José Luís Sá: “Este é um alimento essencial, não há como substituir”, afirma.
A nutricionista do SenacCasa do Comércio, Andrelice Bispo, sugere, porém, a troca do pãozinho pela batatadoce ou inhame. “Todos os alimentos da família dos tubérculos podem ser bons substitutos”, explica.
ALTERNATIVAS AO CONSUMO DO TRIGO
Tubérculos Batata-doce, inhame, banana-da-terra e fruta-pão são substitutos nutricionais do trigo Pães Feitos à base de outros ingredientes, como a fécula de batata ou a mandioca, eles têm menos trigo e podem sair mais baratos Bolos Substituir pães por bolos feitos em casa. Com poucas xícaras de farinha de trigo, é possível atender a toda a família Tapioca O beiju de tapioca com queijo atende às necessidades de cereais e de proteína Cuscuz De milho ou de tapioca, o cuscuz também é uma opção regional e alternativa ao pão Outros Torradas, biscoitos e cereais podem ser combinados com laticínios e frutas
Fonte: A Tarde