Desfibradoras serão entregues a produtores
Criada por um inventor autodidata e testada com sucesso pelo Ministério do Trabalho, uma nova máquina vai acabar com um problema social que se arrasta há cerca de 25 anos, na região sisaleira da Bahia: a mutilação de mãos e antebraços de trabalhadores pelo antigo e perigoso equipamento de desfibrar a folha do sisal, chamado de “Paraibana”.
Serão entregues, no dia 16 de setembro, com a presença do ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, 140 unidades do novo equipamento que vai beneficiar diretamente 3.612 agricultores familiares principalmente dos municípios de Serrinha, Conceição do Coité, Valente, Santa Luz, Queimadas, Araci, São Domingos, Itiuba, Riachão do Jacuípe, Retirolândia, entre outros pertencentes ao território do Sisal e Bacia do Jacuípe.
O modelo atual passou por melhorias com a substituição de motores. O resfriamento a água foi trocado pelo mecanismo a ar, facilitando sua utilização em região com escassez hídrica. Além disso, o equipamento se torna 51 kg mais leve. A mudança foi considerada uma evolução tecnológica do modelo inicial. A iniciativa conta com a parceria do Ministério do Desenvolvimento Agrário, através da Caixa Econômica Federal.
Inventada por José Faustino Santos, um homem simples que estudou apenas até a 7ª série do ensino fundamental, mas com uma inteligência incomum, o equipamento “Faustino V” tem como principal diferença, em relação às tradicionais paraibanas, o fato de evitar totalmente o risco de mutilação, além da nova forma de processamento da folha que evita esforços físicos por parte dos produtores.
Natural de Nova Floresta, na Paraíba, Faustino Santos concebeu o primeiro protótipo da máquina em 1987, na oficina mecânica do pai. Só agora, com o apoio da Secti e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb) conseguiu ver seu equipamento começar a ser produzido em série. “É a realização de um antigo sonho”, define. No protótipo original, a máquina era acionada através de um pedal.