Nova máquina acaba com risco de mutilação de trabalhadores no sisal

17/09/2010

Nova máquina acaba com risco de mutilação de trabalhadores no sisal

 

Uma parceria entre a Secretaria de Ciência Tecnologia e Inovação do Estado (Secti), Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e Associação de Desenvolvimento Sustentável e Solidário da Região Sisaleira (Apaeb) viabilizou a produção e distribuição de 140 unidades de uma máquina desfibradora de sisal, que acaba com o risco de mutilação de agricultores.

A distribuição, realizada na manhã de ontem no município de Valente, a 238 quilômetros de Salvador, contou com a presença do ministro do MDA, Guilherme Cassel, do secretário da Secti, Feliciano Monteiro, da secretária da Casa Civil, Eva Chiavon, e do secretário da Agricultura, Eduardo Salles.

Os acidentes com mutilação eram comuns durante a utilização da antiga máquina que separa as fibras de sisal do resto da planta. A Paraibana, como é chamada, foi desenvolvida há mais de 30 anos e era utilizada até agora. Ela foi responsável pela perda da mão ou de parte dos dedos de cerca de dois mil trabalhadores baianos, segundo dados do Ministério do Trabalho.

O agricultor Rivailton Silva, morador da zona rural de Valente, contou que apenas na família dele duas pessoas sofreram acidentes com a máquina. "Bastava uma distração e pronto: as pessoas perdiam o dedo ou a mão. Meu irmão e meu primo estão assim e não conseguem mais trabalhar. Com o novo equipamento, é impossível acontecer isso."

Inovação – A nova máquina desfibradora, à prova de acidentes mutiladores, tem um dispositivo de inversão do sentido de rotação dos cilindros. Assim que a mão chega ao limite de segurança e toca o dispositivo, a rotação é invertida, expelindo o sisal e empurrando a mão para traz.

A máquina foi desenvolvida pelo agricultor e mecânico autoditata José Faustino Santos. Ele estudou até a 7ª série do ensino fundamental, mas, com a prática em mecânica e boas ideias, criou o novo modelo, batizado de Faustino 5 em sua homenagem.

Além de mais segura, a Faustino 5 é 51 quilos mais leve que a Paraibana, gasta menos combustível e não usa água no sistema de resfriamento, o que facilita a utilização em locais com poucos recursos hídricos. Segundo o ministro Guilherme Cassel, a máquina traz novas perspectivas para os produtores e elimina um problema histórico.

"Não é razoável em pleno século XXI, quando o homem faz o mapeamento genético e transmite informações na velocidade da internet, que pessoas ainda sejam mutiladas durante o trabalho", afirmou o ministro.

A secretária da Casa Civil, Eva Chiavon, enfatizou que a máquina tem a produtividade testada e, por isso, "dessa atividade do sisal não sairão mais homens mutilados".

Modernização levará produtos do sisal à Copa de 2014

O sisal é uma planta originária do México, que chegou ao Brasil em 1903, e produz uma fibra natural e biodegradável utilizada na fabricação dos mais diversos produtos. Tapetes, bolsas, chapéus, artigos de decoração em geral, todo tipo de cordoaria e até peças plásticas para automóveis são feitos com o sisal.

"As possibilidades são inúmeras. Além da fibra, podemos aproveitar o que sobra do processo para ração animal, adubo e outras utilidades que estão sendo pesquisadas", afirmou o presidente da Apaeb, Ismael Ferreira. Segundo ele, com a adoção da nova máquina e o fim das mutilações, o processo de fabricação pode ser certificado com a ISO 9001:2008, o que facilitará a inserção em novos mercados e garantirá a produção na região.

Sustentabilidade – O sisal será incluído no programa Copa Sustentável, em elaboração pelo governo federal, que tem o objetivo de transformar o mundial de futebol de 2014 num exemplo de sustentabilidade para o mundo.

"Queremos encontrar produtos e soluções ambientalmente corretas para serem usadas durante a competição. Vamos fazer a tomada de projetos para o programa e as propostas do sisal vão ser incluídas", afirmou o ministro Cassel.

Os produtos como tapetes, porta-guardanapo e jogo americano podem ser usados em restaurantes, hotéis e centros de treinamento. "Existem outras possibilidades e vamos trabalhar para incluir o sisal na Copa", disse Ismael Ferreira.


 

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