Estoque sem baixa puxam aumento do feijão
O preço da saca do feijão dobrou na última semana em algumas regiões da Bahia. Em Ribeira do Pombal, por exemplo, o saco de 60 kg, que custava R$ 80, na última quartafeira, foi vendido por R$ 160 no dia seguinte, conforme cotação da Secretaria da Agricultura do Estado (Seagri).
Em Adustina, o valor subiu de R$ 73 para R$ 120. Com estoques baixos, a tendência é de repasse deste aumento ao consumidor nos próximos meses. Apesar de a alta ainda não ter chegado às gôndolas, o valor deve ficar abaixo dos R$ 15/kg estimado na semana passada pelo Instituto Brasileiro do Feijão (Ibrafe).
Na última sexta-feira, o presidente do Ibrafe, Marcelo Eduardo Lüders, estimou que o preço do alimento poderia chegar a R$ 15 em algumas partes do País. Em Salvador, o consumidor ainda paga até três vezes menos. Em duas das maiores redes de supermercados da capital, o quilo do produto varia entre R$ 2,71 e R$ 4,97. Na Ceasa, o preço é um pouco maior: R$ 6.
Ontem, a média da saca de feijão comercializado na Bahia fechou em R$ 130. Valor menor que em outras regiões produtoras, como Minas Gerais e Goiás, onde o valor da saca chegou a R$ 185.
Para o corretor de grãos Alberto Luiz Pensin, os estoques de feijão em todo o País estão bastante reduzidos para atender à demanda devido a condições climáticas. “O feijão deve subir porque a falta é iminente. A produção está complicada, só haverá colheita em meados de dezembro e não há estoque”, disse.
Ele explica que as vendas se intensificam sempre na primeira quinzena de cadamês.
“Tem alguma coisa para colher em novembro, mas é pouco para o consumo do país. Em 17 anos atuando na área,nuncaviumafaltacomo agora”, comentou.
Secas, atraso no ciclo do feijão, pragas como a mosca branca e a substituição das plantações de feijão por outros produtos são alguns dos fatores que levaram à redução dos estoques.
Consumidor A comerciante Elizângela de Jesus, 37, levou um susto com a notícia sobre o aumento (de até R$ 15/ kg) do feijão, mas, nos supermercados, diz que a diferença não pesou no bolso como temia. “Está um pouco mais caro, porque já comprei na faixa de R$ 2,80, o quilo.
Mas não está caro a ponto de deixar de consumir. Ainda está razoável”, disse ela.