Bahia lidera a produção mundial de graviola

27/09/2010

Bahia lidera a produção mundial de graviola

 


A graviola chegou silenciosa ao sul da Bahia, há cerca de 15 anos, e empouco tempo mostrou a que veio. A fruta, que muitos nem sequer imaginam que é cultivada no estado, trouxe-lhe mais um título: a de capital mundial desse cultivo. Em menos de duas décadas, a produção local conseguiu desbancar tradicionais produtores da fruta no Brasil e no exterior, como o Ceará, a Colômbia e a Venezuela.

Da família das anonáceas, a mesma da pinha, a graviola foi se tornando uma cultura popular no sul baiano aos poucos. Os agricultores de cacau, na tentativa de diversificar a produção, decidiram apostar nessa fruta de clima tropical, que se adaptou, e muito bem, ao solo da região.

O investimento deu certo, e hoje a graviola só perde, em plantio, para duas lavouras que são “pratas da casa”: o cacau e a banana. É, ainda, a responsável pela geração de 1.800 empregos diretos e 3.000 indiretos.

De acordo com a Agência Estadual de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), existem, atualmente, 28 municípios que se dedicam à graviola no estado. Contabilizam, juntos, 500 produtores, que cultivam, ao todo, 1.200 hectares.Quase metade dessa área está na cidade de Wenceslau Guimarães, a 290 km de Salvador.

O produtor agrícola Jaime Ventura é um dos moradores do município que resolveu apostar na graviola. Há dois anos, o ex-advogado catarinense começou a sua plantação.

Atualmente, possui uma lavoura de quatro mil pés. Mesmo ainda não tendo atingido o auge dessa produção, o que costuma acontecer entre aq uarta e a quinta safra, o agricultor já possui opinião firme sobre o investimento: “A graviola tem rentabilidade”, assegura.

Produção Por safra, o Estado produz a média de 14 toneladas da fruta e obtém uma receita de R$ 32 milhões. O custo médio deprodução,por lavoura, é de cerca de R$ 5 mil e a receita bruta pode variar entre R$ 20 mil e R$ 25 mil.

Os agricultores familiares são responsáveis por 70% da produção. Para esses, sem dúvida, a graviola é um bom negócio.

“Uma safra oferece ao agricultor uma renda média de R$ 1 mil por mês, o que corresponde a mais ou menos dois salários mínimos, e essa quantia é superior a obtida comoutras lavouras”, comenta o fiscal estadual agropecuário da coordenadoria regional da Adab em Itabuna, Geraldo Nascimento.

Um estímulo básico à predominância do agricultor familiar é a própria natureza dessa cultura, que necessita de um acompanhamento constante, seja devido às pragas que a acometem, como a broca-do-fruto e a brocado-tronco, seja por conta da colheita, cuja determinação do ponto exato exige atenção.


Adab coleta informações sobre a cultura no Estado


Ninguém produz mais graviola no planeta que a Bahia. O mundo ainda não conhece esse fato, mas em breve isso mudará, se depender da Agência Estadual de Defesa Agropecuária (Adab). Dados inéditos sobre a produção dessa fruta estão sendo coletados há quase um ano e meio pela agência.

A "descoberta da graviola" teve início quando o Projeto de Manejo Integrado das Pragas das Anonáceas levou a Adab a Irecê, no centro norte do estado. "Fomos até lá para estudar a pinha, mas sentimos a necessidade de saber maissobreagraviola,queéda mesma família. A partir daí começamos a pesquisar a produção e a reunir dados sobre isso, com a colaboração das secretarias municipais de agricultura, Senar, sindicatos, órgãos de assistência técnica e outros parceiros", lembra o fiscal agropecuário da coordenadoria regional da Adab em Itabuna, Geraldo Nascimento.

Inquéritos Fiscais do órgão visitaram as propriedades rurais e aplicaram inquéritos, que são documentos oficiais da agência nos quais ficam registrados os dados dos produtores. "Esses números são reais, possuímos até mapas. Estamos tentando, junto ao IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), divulgá-los", diz a coordenadora do Programa de Manejo Integrado das Pragas das Anonáceas, Keyla Silva.

"O IBGE não temessas informações.

Para o Brasil, ainda consta que o Ceará é o principal produtor de graviola", ressalta Nascimento. Esperase que, através dessa divulgação, as políticas de incentivo a esse cultivo na região sejam ampliadas.

Enquanto o reconhecimento externo não chega, a Adab e demais organizações voltadas a agricultura no sul da Bahia cuidam em fazer o trabalho de base, que inclui a realização de palestras sobre técnicas de produção e de encontros com os agricultores.

Um passo fundamental, nesse sentido, acontecerá entre os dias 27 e 28 de outubro, durante o evento promovido pela Adab, nas cidades de Wenceslau Guimarães e Gandu, que visa discutir a produção de graviola no Estado.

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