Começam obras para a implantação da fábrica da Vitamilho em Barreiras
Foram iniciadas na tarde de quinta-feira as obras para a construção da nova fábrica da Vitamilho que está sendo construída no município de Barreiras, a 853 quilômetros de Salvador, e integra o plano de expansão da Campo Brasil Indústria e Comércio Ltda.
Segundo o secretário estadual Eduardo Salles, o processo de negociação entre a prefeitura de Barreiras e a Vitamilho, com apoio da Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforma agrária da Bahia (Seagri), para a implantação da fábrica em Barreiras, não demorou.
"Durante a 28ª Expobarreiras foi assinado o protocolo de intenções entre a indústria e o poder público. Agora, a aliança firmada se materializa com o início das obras de construção, que serão executadas numa área de 120 mil metros quadrados no distrito industrial do município, num investimento de R$ 40 milhões", conta.
"A região já precisava muito de uma indústria como essa", destacou a prefeita de Barreiras, Jusmari Oliveira. O presidente da Vitamilho, Eduardo Silva, acredita que a vinda da fábrica para o produtor é "uma grata oportunidade de ter uma empresa focada na região".
O presidente do Centro das Indústrias do Oeste da Bahia, Pedro Tassi, acredita que a instalação da Vitamilho anima os produtores da região. "Para nós, empresários, a fábrica vai fazer a diferença, por se tratar de uma empresa de peso."
Postos de trabalho – A capacidade total de processamento corresponde a 216 mil toneladas/ano de milho in natura e 3,6 mil toneladas/ano de arroz. A estimativa é que sejam gerados 220 postos de trabalho e mais de mil empregos diretos e indiretos na região.
A principal atividade da Campo Brasil é a produção e comercialização de canjica de milho para a indústria de pipoca, salgadinhos e outros alimentos à base de milho, farinha e flocão para consumo humano, ração e farelo de milho para consumo animal e processamento de arroz para a produção de flocão de arroz.
A matéria-prima será toda da região, o que viabiliza o negócio, tornando mais acessível o preço dos produtos para a indústria.
Região deve triplicar a produção
"Enxergamos como importância vital para a economia regional o desenvolvimento da matriz agrícola do milho, no quesito de geração de emprego e renda e para despontar a região como potencial de produção da cultura do milho", disse o gerente regional da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), Carlos Augusto Araújo, ressaltando a assistência técnica e o aperfeiçoamento desses produtores da agricultura familiar.
A fábrica de Barreiras processará o equivalente a 15% da produção do milho baiano. A fábrica da Coringa, recém-inaugurada em Luís Eduardo Magalhães, vai processar 20% da produção.
As duas empresas juntas vão processar 35% do milho do estado, o que aponta para a necessidade de triplicar a produção, considerando-se o estudo que está sendo finalizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) com a finalidade de indicar os melhores caminhos para a oferta de incentivos fiscais destinada à atração de novas indústrias para agregar valor ao milho, ao algodão e à soja.
Além do aspecto econômico, a cultura do milho é muito importante para o oeste da Bahia, em termos agronômicos, como opção para rotação de culturas.
A região é responsável por mais de 50% de todo o milho produzido no estado e abastece tanto as granjas de aves e suínos como a indústria alimentícia do Nordeste do país.
Além disso, a Seagri trabalha para estimular a avicultura e a suinocultura na região, ampliando ainda mais a demanda por milho no estado.
Posição estratégica da Bahia no Nordeste
A Bahia ocupa posição estratégica no abastecimento de milho no Nordeste, uma vez que os demais estados da região são consumidores do produto, principalmente Pernambuco e Ceará, que têm uma produção de aves significativa, mas uma produção do cereal deficitária.
Pela localização geográfica, o milho baiano se torna menos oneroso para avicultores desses estados, pela redução dos custos com fretes. Assim, para a safra 2009/2010, no oeste da Bahia, a colheita do milho na região será de 1,47 milhão de toneladas.
A reação tem crescido economicamente em função da exploração agropecuária e agroindustrial, cuja intensificação começou na década de 80, mas registra taxas acima das contabilizadas pelo Brasil, desde o início dos anos 90.
O agronegócio tem servido de base para esse desenvolvimento, em especial o segmento produtor de grãos.
O oeste, até a década de 70, caracterizava-se por um modelo de agricultura de subsistência baseado nas culturas de milho, feijão e arroz, ao lado de uma pecuária extensiva.
A partir da década de 80, com a implantação e expansão da sojicultura, a região ganha uma nova dinâmica de desenvolvimento, inserindo-se de forma progressiva e competitiva na estrutura produtiva estadual e nacional, notabilizando-se como principal área produtora de grãos do Nordeste, com a consolidação não só da cultura da soja, como do milho, do arroz, do feijão e, mais recentemente, do algodão e do café de qualidade.
Os recursos tecnológicos modernos, o avanço dos sistemas de irrigação, a mecanização das lavouras e a utilização de sementes desenvolvidas especificamente para as condições do cerrado e, principalmente, um arrojado programa de infraestrutura viária adequado também possibilitaram a expansão da agricultura no oeste baiano.