Câmara Setorial do Charuto quer conquistar mercado asiático
Foto: Heckel junior/Imprensa Seagri
Depois de um período de retração, em que pouco se expandiu para outros mercados, o segmento do tabaco e do fumo da Bahia dá um importante passo para o seu desenvolvimento. A Câmara Setorial do Charuto acaba de ser instalada nesta quarta-feira (29), em Cruz das Almas, em solenidade aberta pelo secretário da Agricultura do Estado, engenheiro agrônomo Eduardo Salles, na Câmara de Vereadores do município. Ela nasce com a proposta de elevar a qualidade do charuto baiano e conquistar o mercado asiático.
A nova câmara setorial, que se junta a outras 18 câmaras do setor agropecuário baiano, coloca frente a frente todos os elos da cadeia produtiva do tabaco e do fumo, tanto do setor público como privado, especialmente do Recôncavo baiano, uma das principais regiões produtoras do Brasil. Com isso, espera-se que a produção local seja acelerada, garantindo a oferta de emprego na região, e exportada para um número maior de países, sobretudo do continente asiático.
De acordo com Eduardo Salles, a Bahia não poderia ficar sem uma câmara setorial tão importante como a do Charuto. O charuto é um patrimônio nosso. O Estado tem hegemonia na produção desse fumo, graças ao clima e solo da região do Recôncavo, extremamente favorável à cultura, destacou. O secretário ressaltou também que, no cenário nacional, a Bahia possui lugar de destaque, pois apresenta o 2º maior parque fontícula do País e o 1º do Nordeste. Além disso, o segmento emprega, somente no Estado, entre funcionários diretos e produtores da agricultura familiar, em torno de 15 mil trabalhadores.
Com a instalação dessa câmara setorial, o objetivo é que possamos pensar o segmento do tabaco e do fumo a médio e longo prazo. Vamos fazer um planejamento estratégico do charuto para os próximos 20 anos, levando em conta questões como logística, infraestrutura e comercialização, declarou Salles, salientando que, através dessas câmeras, é possível aumentar a eficiência das cadeias produtivas e a eficácia das políticas públicas no Estado no setor agropecuário, que representa 24% do Produto Interno Bruto (PIB) baiano.
O secretário disse ainda que é preciso encontrar alternativas para levar o charuto e outros produtos da Bahia para outros mercados. Produzimos não só os melhores charutos, juntamente com os cubanos. Temos um dos melhores chocolates, um dos melhores vinhos e tantos outros produtos. É por isso que a Secretaria da Agricultura instalou um escritório de negócios em Pequim, na China, através do qual esses produtos passarão a ser conhecidos no mercado asiático, alcançando um contingente de 1,3 bilhões de pessoas.
Representando o Ministério da Agricultura, o chefe de gabinete da Secretaria de Defesa Agropecuária, José Conceição Ferreira Sobrinho, destacou a importância de se elevar o charuto baiano à qualidade de produto do tipo exportação, abrindo novos caminhos para o mercado asiático. Ele ressalta que o charuto não encontrará dificuldades para ser levado para outros países, já que o Estado está autorizado a receber certificado do Ministério em que o coloca como área livre de pragas como o Mofo Azul do Tabaco, doença que causa o aparecimento de manchas amareladas nas folhas.
Para Ricardo Becker, presidente do Sindicato da Indústria do Tabaco do Estado da Bahia (Sinditabaco), a Câmara Setorial do Charuto deve ajudar o setor superar alguns entraves. O charuto normalmente não vicia, normalmente não é tragado e não possui produto químico em sua formulação. Mesmo assim, sofre preconceito e sanções tributárias. Não podemos fazer propagandas e ainda precisamos pagar IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados). A grande saída, sem dúvida, é a exportação, afirmou.
Parabenizando a Secretaria da Agricultura pela iniciativa de instalar a Câmara Setorial do Charuto, ressaltando que já era uma vontade antiga do segmento, o prefeito de Cruz das Almas, Orlando Peixoto Pereira Filho, considerou que a câmara trará à tona ainda o debate de questões de suma relevância para a região do Recôncavo, como o estímulo do plantio do tabaco mata fina em locais onde ainda não é feito ou a produção é incipiente.
O evento reuniu representantes dos mais diversos setores, englobando associações, sindicatos, cooperativas, industriais, instituições de ensino, dentre outros.
Segmentos As câmaras setoriais são órgãos consultivos formados por representantes de entidades de caráter estadual, de produtores, trabalhadores, consumidores, empresários, autoridades do setor privado e de órgãos públicos, além de instituições financeiras. Elas representam os segmentos da apicultura e meliponicultura, algodão, seringueira, cana-de-açúcar e derivados, mandioca, café, grãos, pesca e aquicultura, oleaginosas, hortaliças, silvicultura, fruticultura (com duas subcâmaras: citricultura e fruticultura temperada e tropical) e guaraná, além de uma câmara temática de relações internacionais e comércio exterior.
Fonte:
Imprensa/Seagri
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