Projeto incentiva reciclagem na zona rural

18/10/2010

Projeto incentiva reciclagem na zona rural


Quando a apicultora Luciene Vitória dos Santos foi chamada na casa da vizinha para retirar uma colmeia do quintal, há quatro anos, assustou-se como lixo acumulado.Nesse dia, concluiu que deveria tomar uma atitude e fundou o Instituto Social Recicla Zona Rural, no distrito de Maria Quitéria, a 10 km de Feira de Santana.

Com o apoio de 30 voluntários, Luciene coletou o material reciclável jogado pelas estradas e quintais da região e começou o trabalho de conscientização nas escolas e na comunidade.

Devido à falta de apoio institucional e de perspectiva financeira, somente sete pessoas continuaram o trabalho de coleta, mas os moradores do distrito já depositam o lixo corretamente em grandes sacos – os big-bags – espalhados em pontos estratégicos. O recolhimento é feito a cada semana pela associação, que também separa os resíduos.

Plásticos, vidros, papéis, pneus, tudo pode ser reaproveitado.O agricultor Alfredo da Silva e sua família já aderiramà coleta seletiva do lixo.

“Esse projeto é importante, porque antes dele as coisas viviam jogadas de qualquer jeito, até estragando a terra”, avalia. A instituição possui 200 sacos doados por empresas, mas, segundo Luciene, necessitaria de ao menos mil para que o recolhimento fosse mais eficiente.

“A gente recolhe os bags cheios, mas muitas vezes não temos outro vazio para substituir.A coleta também é complicada, porque dependemos de uma carroça emprestada para fazer o trabalho”, conta Luciene.

Outra meta é conseguir apoio para comprar o terreno onde será construída a sede da instituição. Atualmente, o depósito fica em uma área emprestada. “A prefeitura esteve aqui já duas vezes, nos deram 10 tonéis e, há seis meses, enviaram um caminhão para recolher algum material, mas não temos um apoio efetivo”, diz Luciene.

Mesmo em meio a dificuldades, o instituto já coleciona vitórias. Na propriedade de Onorina Pereira da Silva, por exemplo, o lixo ordenado substituiu as frequentesqueimadas para descartar os resíduos. “Além da casa, a gente tem um bar e um salão de beleza, então acumula muito lixo”, diz.

Onorina conta que também aprendeu a arrumar corretamente as garrafas de vidro para evitar a proliferação do mosquito da dengue.

Quem também aprendeu muitas lições com a reciclagem foi Keila Graziele Silva, 12 anos. “Aqui está muito melhor agora, mais limpo. Antes a gente brincava no meio da sujeira”, afirma a garota, que tem em casa outro incentivo para a consciência ecológica, pois sua mãe, Josete de Santana, é voluntária do projeto de reciclagem.

“A gente separa e, quando vende,já tem um dinheirinho que ajuda nas despesas. Mas não é só pelo dinheiro. Estamos fazendo algo pela natureza e também pelos nossos filhos”, explica Josete.

Em 2009, o Instituto Social Recicla Zona Rural recebeu o título de Guardião do Meio Ambiente, da Secretaria Municipal do Meio Ambiente.Mas, apesar do reconhecimento do trabalho, de acordo com a fundadora do projeto, Luciene Santos, isso não representa um apoio efetivo.

“Os poderes públicos estão fechando os olhos para um grande problema. Eu já pensei em parar, já chorei muito, mas a gente não deve desanimar diante das dificuldades”, afirma Luciene.

 

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