2010, o ano da agroindustrialização da Bahia
Implantar indústrias onde houver produção agropecuária, para agregar valor às cadeias produtivas, gerando emprego e renda, fixando o homem no campo com melhor qualidade de vida. Essa é uma das metas prioritárias da Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária, que elegeu 2010 como o ano da agroindustrialização da Bahia.
“A agroindustrialização ficou 16 anos adormecida no Estado, mas o governo Wagner está recuperando o tempo perdido”, afirma o secretário estadual da Agricultura, engenheiro agrônomo Eduardo Salles, lembrando que a Bahia possui matriz produtiva diversificada, mas não tem grandes indústrias. “Somos grandes fornecedores de matéria-prima. Temos que mudar essa realidade e passar a exportar produtos manufaturados”, afirma.
O secretário revelou que, há pouco mais de três meses, o secretário da Indústria, Comércio e Mineração, James Correia, foi sensível e devolveu à Seagri a coordenação de agroindústria, “que era dela por direito, e que havia sido retirada em 1991”. Desde então, a Seagri tem intensificado as ações para atrair novos empreendimentos para o Estado, obtendo bons resultados.
“Somos o segundo maior produtor de laranja do País e não temos nenhuma fábrica para processar a produção. Mas agora conseguimos mostrar à empresa Brasfrut o potencial desta cultura e ela vai instalar uma fábrica em Rio Real para processar laranja”, revelou.
As ações desenvolvidas pela Seagri culminaram com o lançamento da pedra fundamental da Unidade de Beneficiamento de Cebola que será construída no município de Sento Sé, com capacidade inicial para processamento de 4 toneladas por dia de cebola, para produção de pasta de cebola com e sem sal.
A instalação dessa fábrica se justifica, não só por que será o primeiro empreendimento dessa natureza na região Nordeste, mas porque criará uma nova oportunidade agroindustrial no Estado da Bahia, implementando, a política estadual de desconcentração espacial e formação de adensamentos industriais nas regiões com menor desenvolvimento econômico e social além da agregação de valor dessa importante cultura da agricultura familiar.
No início deste mês a Seagri e a prefeitura do Municípo de Wenceslau Guimarães firmam protocolo de intenções com a Alina do Brasil, Alimentos Nacionais do Brasil Ltda, de origem Venezuelana, que vai se instalar na região do Baixo Sul do Estado com uma unidade agroindustrial para processar banana da terra, inicialmente produzindo “banana chips”, ou seja, bananas fatiadas em rodelas e fritas em oleína de dendê. Este produto já tem mercado consumidor garantido no Brasil.
O investimento previsto será de R$ 2,5 milhões, gerando em torno de 60 empregos diretos, com indústria construída em uma área de 10 mil m2 e capacidade inicial para processar 60 toneladas de banana por semana, isso representa em torno de 1% da produção regional. O protocolo de intenções foi assinado em setembro de 2010, com enquadramento do Programa Desenvolve.
Também fruto das articulações feitas pela Secretaria da Agricultura, a empresa Brasfrut, que já atua em Feira de Santana produzindo polpas para exportação para a Europa e os EUA e tem 40 anos de experiência e tecnologia de ponta, anunciou que vai instalar mais um empreendimento em Rio Real. Será uma fábrica para industrializar laranjas. Rio Real fica no Litoral Norte da Bahia, maior produtor de citros do Estado (a Bahia é o segundo maior produtor de laranja do País, perdendo apenas para São Paulo).
A cultura gera 150 mil empregos diretos e tem em Rio Real a Capital da Laranja, o Estado é declarado pelo mapa livre das doenças do citros, com muitas áreas para expansão da cultura. O projeto está em fase de assinatura do protocolo de intenções, assim como foi criado um grupo de trabalho – integrado pelos secretários de agricultura dos municípios da região, presidentes das associações de produtores e representantes da Brasfrut para definir os detalhes da instalação da indústria.
Fonte:
Jornal Tribuna da Bahia