Safra recorde e preço alto compensam dólar barato
Mesmo como dólar numdos níveis mais baixos dos últimos dois anos, cotado abaixo de R$ 1,70 desde o início deste mês, os setores relacionados ao agronegócio não têm do que reclamar. O processo de desvalorização da moeda norte-americana não tem atingido de maneira significativa os ganhos dos produtores brasileiros, que foram beneficiados pela colheita de uma safra recorde de 149 milhões de toneladas de grãos e pela escalada no preço de commodities no mercado internacional.
Comamaioriadaprodução agrícola voltada para a exportação, os produtores baianos também se beneficiaram da valorização dos produtos agrícolas. Dos oito principais produtos da pauta de exportações baianas, cinco tiveram umarecuperação substancial nonível de preços.Ofumofoi o produto que registrou o maior incremento de preço, crescendo em torno de 80,2% entre janeiro e setembro, comparado ao mesmo período do ano passado. Comisso, mesmo registrando um volume de exportação 37,8% mais baixo, o setor conseguiu ampliar os ganhos em 12,1%.
O algodão foi o segundo produto mais beneficiado com a alta de preços, num incremento de 29,3% no valor médio por tonelada exportada.
Na sequência, aparecem a celulose, o café e o cacau, com aumentos de preço significativos no valor de exportação.
Já culturas como o sisal e a fruticulturativeramumaleve oscilação positiva no preço médio por tonelada exportada.
Neste contexto, apenas o valor da soja – prejudicada por excesso de oferta no mercado internacional – registrou uma redução de 12,5%.
China “O aumento da procura, puxada por uma forte demanda da China, resultou numa valorização fantástica destes produtos. Isso compensou as perdas obtidas com a desvalorização do dólar”, explica Arthur Souza Cruz, coordenador de Comércio Exterior da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI).
Os produtores de algodão também foram beneficiados por fatores externos. Segundo maior produtor do Brasil, a Bahia ganhou espaço no mercado internacional coma drástica redução da produção asiática, resultado de fortes enchentes na região. Com isso, apenas no mês de setembro, o volume de algodão exportado pelos produtores baianos cresceu 122% em relação ao ano passado.
Câmbio Demaneirageral,ostrêsprincipais produtos do agronegócio exportador baiano – soja, milho e algodão – não terão perdas significativas com as oscilações no câmbio. Isso porque a maior parte da produção colhida em 2010 já foi previamente comercializada, quando a desvalorização do dólar ainda não era tão significativa.
“Lógico que existe umapreocupaçãonomédio e longo prazo, porque o preço está atrelado ao dólar. Temos que ver como o câmbio vai se comportardaquiparafrente”, avalia Alex Rasia, vice-presidente da Associação Agricultores e Irrigantes da Bahia.
Por outro lado, a desvalorização do dólar traz benefícios diretos para os produtores que importam insumos como fertilizantes, adubos e defensivos agrícolas. Apenas este ano, os produtores baianos adquiriram 322,6 mil toneladas destes produtos em outros países, como EUA, Canadá e Rússia – numgasto de US$ 119,4 milhões.
Neste período de entressafra, os produtores já começam a fechar a compra de novas remessas de fertilizantes e adubo. E deverão se beneficiar com a moeda americana em baixa, que vai representarumimpacto menor no caixadosprodutoresbaianos.
No caso da compra de equipamentos agrícolas, o impacto do câmbio não será significativo: “A maior parte das máquinas que usamos são fabricadas no País”, diz Rasia.
Fonte:
Jornal A Tarde