Valor da produção agrícola brasileira cai 5,3% em 2009

22/10/2010

Valor da produção agrícola brasileira cai 5,3% em 2009

 

 

O valor da produção agrícola brasileira caiu 5,3% em 2009, totalizando R$ 140,8 bilhões. Esse volume representa uma redução de R$ 8 bilhões em relação ao registrado no ano anterior, o que pode ser explicado principalmente pela queda na produção de itens como o milho (-13,9%), café (-12,8%), algodão herbáceo (-27,3%), trigo (-16,1%) e a soja (-4,2%). Além disso, alguns produtos como o milho, feijão, café e trigo tiveram preços inferiores aos de 2008. Em relação à área plantada, houve crescimento de 0,3%, somando 65,7 milhões de hectares.

Os dados fazem parte da Pesquisa Agrícola Municipal - Cereais, Leguminosas e Oleaginosas, divulgada ontem (20/10/10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento investigou 64 produtos, em 5.565 municípios.

De acordo com o documento, a soja continua sendo a cultura que mais contribui para o valor da produção, respondendo por 27% do total, o que equivale a R$ 38 bilhões. A liderança foi mantida apesar da redução da safra, influenciada pelo custo de produção, superior ao verificado no ano anterior, o que levou os produtores a implantar lavouras com menos tecnologia; além de problemas climáticos, com períodos de estiagem na Região Sul. Com relação à área cultivada, houve aumento de 2,4%, atingindo 21,7 milhões de hectares.

Em seguida, aparece a cana-de-açúcar com 17% do total (R$ 24 bilhões), beneficiada pela valorização do açúcar no mercado internacional e pelo aquecimento dos preços do etanol no mercado interno. Em relação à produção, o aumento de 4,0%, garantindo o recorde de 671,4 milhões de toneladas, no entanto, foi menor do que o observado em 2008 (17,4%). A redução no ritmo de crescimento pode ser explicada pela crise econômica internacional, que diminuiu a oferta de crédito, acarretando uma retração no processo de implantação de novas usinas e redução na expansão dos canaviais observada nos últimos quatro anos. Já a área colhida aumentou 4,6%.

Em terceiro lugar, aparece o milho, responsável por 14% do valor da produção agrícola brasileira. A cultura (50,7 milhões de toneladas) foi prejudicada por problemas climáticos, pelo desestímulo ao plantio em função dos estoques elevados no mercado nacional, além da baixa cotação do produto, e pela crise financeira internacional, que resultou em incertezas sobre a comercialização futura do produto. A área colhida teve redução de 5,5%.

PROBLEMAS CLIMÁTICOS E CRISE ECONÔMICA

A produção nacional de grãos encerrou o ano de 2009 com 133,8 milhões de toneladas, o que representou uma queda de 11,6 milhões de toneladas em relação ao ano anterior (-8,6%). Esse recuo foi influenciado, principalmente, pela queda nas produções do milho (-8,27 milhões de toneladas), da soja (-2,49 milhões de toneladas), do algodão herbáceo (-1,09 milhões de toneladas) e do trigo (-972 mil toneladas).

De acordo com o documento Pesquisa Agrícola Municipal - Cereais, Leguminosas e Oleaginosas, "entre os principais fatores que explicam essa redução na produção estão problemas climáticos, com estiagem em algumas regiões e chuvas fortes em outras, diminuindo a produtividade das lavouras; além da crise mundial do crédito que prejudicou o custeio da produção e causou incertezas sobre a comercialização futura de alguns produtos".

A falta de chuvas prejudicou a safra da soja (-4,2%), principalmente no Paraná. Já Mato Grosso se manteve líder na produção, com 17,96 milhões de toneladas, e os municípios que mais se destacaram nessa cultura foram Sorriso (1,84 milhões), Sapezal (1,11 milhões) e Nova Mutum (1,05 milhões). Também por problemas climáticos, aliados aos estoques elevados e à baixa cotação, a produção do milho (50,6 milhões de toneladas) teve queda de 14,1%.

A produção de algodão herbáceo (2,9 milhões de toneladas) foi 27,3% menor do que a do ano anterior. O município baiano de São Desidério, maior produtor do país, foi o único que aumentou a área colhida e contribuiu com 485 mil toneladas (16,8% da produção nacional).

Já a cana-de-açúcar (671,4 milhões de toneladas) registrou aumento de 4% em comparação a 2008. São Paulo, maior produtor nacional, concentrava 57,9% da produção, 0,7% a mais do que em 2008. Ainda assim, o clima prejudicou a colheita: Morro Agudo (SP), maior município produtor, teve redução de 22,6% na produção.

A produção nacional de arroz em casca (12,65 milhões de toneladas) também aumentou, superando em 4,9% a de 2008. O Rio Grande do Sul foi o maior produtor nacional (63,1%), com safra de 7,98 milhões de toneladas. O feijão teve incremento de 0,7% na produção e 8,4% na área plantada. O Paraná se manteve o principal produtor, com 22,6% no total nacional (787 mil toneladas).

Ainda segundo os dados da pesquisa, as 22 espécies de frutas pesquisadas geraram uma receita bruta de R$ 17,7 bilhões, 1,8% a mais do que no ano anterior apesar das quedas nas safras dos principais produtos desse grupo. A safra da laranja em 2009, de 17,6 milhões de toneladas, caiu 5%. A banana em cacho totalizou 6,78 milhões de toneladas (-3,1%). A safra da uva foi de 1,37 milhão de toneladas (-3,9%), interrompendo tendência de crescimento que se mantinha desde 2006. A área colhida somou 2,9 bilhões de hectares.

SÃO PAULO MANTÉM LIDERANÇA

O estado de São Paulo manteve a liderança na distribuição dos valores da produção agrícola em 2009, passando de 15,6% de participação no ano anterior para 16,3%. Ele é o principal produtor de culturas como cana-de-açúcar, laranja, amendoim, banana, entre outros. Em seguida, aparece Mato Grosso que, em função da boa safra do milho (incremento de 4,9% na produção e de 15,5% no rendimento obtido), passou a responder por 12,8% do valor da produção no país. No ano passado, a produção agrícola brasileira totalizou R$ 140,8 bilhões.

De acordo com a Pesquisa Agrícola Municipal - Cereais, Leguminosas e Oleaginosas, divulgada IBGE, o estado do Paraná caiu da segunda para a quarta colocação e foi responsável por 11,8% do total nacional. A produção paranaense foi prejudicada por problemas climáticos. As principais culturas verificadas no estado foram as de milho (22,1%) e soja (20,3%), que também sofreram redução no período.

Entre os municípios, o levantamento destaca que, dos dez principais produtores, sete estão em Mato Grosso, sendo Sorriso o que registrou o maior valor de produção em 2009 (R$ 1,33 bilhão), apesar da queda de 10,4% em relação a 2008. Ele também é o maior produtor de milho e soja no país. O município baiano de São Desidério, maior produtor de algodão herbáceo, ficou em segundo lugar, com valor de produção de R$ 1,07 bilhão e queda de 18,3% em relação a 2008.

 

Fonte:
Agência Brasil
Thais Leitão - Repórter
Juliana Andrade e Lílian Beraldo - Edição

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