Governo da Bahia reforça compromisso com a promoção da igualdade racial
A campanha publicitária do Novembro Negro 2010 chegou às ruas, esta semana, com a mensagem Combate ao Racismo e Promoção da Igualdade. A Bahia vai Continuar Seguindo esse Caminho. A veiculação em outdoor, jornais, revistas e ônibus reforça a disposição do Governo da Bahia em dar sequência ao projeto iniciado com a criação da Secretaria de Promoção da Igualdade (Sepromi), em 2007.
Em sua quarta edição, o projeto volta a conjugar ações da sociedade civil, de órgãos do governo estadual e das prefeituras, de todos os territórios de identidade, numa ampla agenda de atividades alusivas ao 20 de Novembro, Dia Nacional da Consciência Negra.
O objetivo do Novembro Negro – projeto da Sepromi, realizado em parceria com o Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra (CDCN) – é provocar a mobilização e o debate sobre o racismo, as relações sociais discriminatórias e as conquistas da população negra baiana e brasileira. O projeto inclui uma forte campanha publicitária.
"Nossa campanha, este ano, indica que escolhemos um caminho pela promoção da igualdade racial e de gênero no estado da Bahia, a partir da implementação de políticas públicas, mas temos a convicção de que ainda há uma longa estrada a percorrer", afirma a secretária de Promoção da Igualdade, Luiza Bairros.
Mulheres Africanas - Um dos destaques é a exposição Mulheres Africanas, que será aberta hoje, às 18h30, na Galeria do Conselho de Cultura do Estado, anexa ao Palácio da Aclamação, no Campo Grande.
A mostra reúne retratações femininas de países africanos como Senegal, Nigéria, Libéria, Cabo Verde, Burkina Faso, Togo, Costa do Marfim, que poderão ser conferidas até o dia 6 de dezembro. As obras são de autoria da artista plástica paulista Surama Caggiano, que pela primeira vez expõe na capital baiana.
No 20 de Novembro acontecem as convocações à população para manifestações de reflexões e anseios em torno do tema, as caminhadas e shows, com o propósito de resgatar a memória de Zumbi dos Palmares, símbolo da resistência negra no Brasil.
Em Salvador, passeatas de organizações do movimento negro saem de diferentes pontos da cidade em direção ao Pelourinho, onde ocorre uma grande concentração por volta das 18h. A programação completa pode ser conferida no site www.sepromi.ba.gov.br.
Homenagem ao herói Zumbi
A comemoração do 20 de Novembro como Dia Nacional da Consciência Negra surgiu na segunda metade dos anos 1970, no contexto das lutas dos movimentos sociais contra o racismo.
O dia homenageia Zumbi, símbolo da resistência negra no Brasil, morto em uma emboscada no ano de 1695, após sucessivos ataques ao Quilombo de Palmares, em Alagoas. Desde 1995, Zumbi faz parte do panteão de Heróis da Pátria.
O dia se consolidou como momento propício a reflexões sobre a situação do homem negro e da mulher negra no Brasil, à medida que as celebrações foram ganhando maior proporção e recebendo mais apoio.
Ultimamente, em todas as regiões do país, são realizadas atividades relacionadas à temática e algumas capitais, como Rio de Janeiro e São Paulo, instituíram feriado municipal nessa data.
Além de ser parte do calendário de atividades do Movimento Negro, o 20 de Novembro foi incorporado por algumas instituições oficiais, como a Fundação Cultural Palmares (FCP), vinculada ao Ministério da Cultura, e a Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), ligada à Presidência da República.
Significados – A data tem muitos significados construídos no decorrer da sua consolidação, entre outros, faz referência à imortalidade de Zumbi, evidencia as denúncias e reivindicações da população negra, oportuniza balanço de conquistas e o estabelecimento de agendas para o futuro.
As homenagens a Zumbi retroalimentam as lutas de mulheres e homens negros pelo fim do racismo, mobilizando todos os setores organizados contra as desigualdades raciais, entre os quais as religiões de matriz africana, quilombos, movimentos de mulheres negras, associações de pesquisadores negros, quilombos educacionais, articulações por ações afirmativas, movimentos político-culturais jovens, organizações de juventude por acesso à Justiça e à segurança pública.
Atividades também no interior
Praças, bibliotecas, parques, escolas, salas de cinema e de teatro, terreiros de candomblé também são invadidos pela cultura negra e suas diferentes abordagens. Nas bibliotecas públicas, por exemplo, acontece uma programação recheada de debates, saraus, palestras, seminários, mostras de filmes, oficinas, sob a coordenação da Fundação Pedro Calmon (FPC), da Secretaria de Cultura (Secult).
Unidades de saúde também estão integradas ao Novembro Negro, por iniciativa da Assessoria de Promoção da Equidade Racial em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde de Salvador.
Nas escolas, os alunos trabalham a temática, durante todo o mês, a partir de diversos projetos. A Secretaria de Educação (SEC) está promovendo ações como o Projeto Orúko, no auditório do Instituto Anísio Teixeira (IAT).
Várias outras atividades acontecem em cidades como Camaçari, Candeias, Lauro de Freitas, Anagé, Bom Jesus da Lapa, Saubara, São Sebastião do Passé e Livramento de Nossa Senhora, primeiro município a consolidar o plano local de Políticas de Promoção da Igualdade Racial na Bahia. O documento foi entregue na última segunda-feira, para votação, na Câmara de Vereadores do município, localizado na Chapada Diamantina.
Alagoinhas, Cordeiros, Encruzilhada, Maragojipe, Juazeiro, Irecê, Porto Seguro, Seabra, Souto Soares, Ituberá e Itacaré, da mesma forma, desenvolvem ações diversas com abordagens étnico-raciais dentro do Novembro Negro.