Vírus da murcha do abacaxi

24/11/2010

Vírus da murcha do abacaxi


As murchas em abacaxizeiro podem ser causadas principalmente por encharcamento, deficiência hídrica, fungos e vírus. Aqui será abordada a murcha causada por vírus. O vírus da murcha do abacaxi causa prejuízos de dois modos: levando a planta à morte, antes mesmo da frutificação, ou impedindo a frutificação normal pelo elevado número de frutos refugos.

Os primeiros sintomas desta murcha são constatados no sistema radicular, que apresenta crescimento prejudicado. Os sintomas foliares aparecem dois a três meses após o início da infecção pelo vírus. Na cultivar Smooth Cayenne descreveu-se os seguintes sintomas: aparecimento de coloração vermelho-bronzeada e amarelada nas folhas centrais; suas margens tendem a se curvar para baixo, perdem a turgescência e suas pontas ficam secas; as plantas infectadas apresentam menor porte do que as sadias. Em alguns períodos do ciclo da cultura, algumas plantas infectadas podem não apresentar sintomas. O avermelhamento das folhas também pode ser devido à presença de nematóides na área ou por causa de deficiência de cobre.

Embora o envolvimento de cochonilhas no desenvolvimento da murcha em abacaxizeiros tenha sido estabelecido desde o século passado, o mesmo não aconteceu em relação à identificação do seu agente causal. A murcha inicialmente foi atribuída a uma toxina secretada pelas cochonilhas durante sua alimentação na planta. Recentemente, identificou-se um vírus em abacaxizeiros expressando sintomas de murcha, o vírus associado com a murcha do abacaxi (Pineapple mealybug wilt-associated virus, PMWaV), que é transmitido por cochonilhas.

A cochonilha vetora do vírus pode abrigar-se nos restos das lavouras, nas raízes de outras plantas e nas mudas de abacaxizeiro. Ela vive em simbiose com várias espécies de formigas doceiras que se nutrem de uma substância adocicada produzida pelas cochonilhas e, em troca, protegem suas colônias e auxiliam sua dispersão, dos hospedeiros nativos e restos de abacaxizeiros, para os novos plantios.

As epidemias de murcha são decorrentes da introdução de cochonilhas não portadoras de vírus nos campos de abacaxi, a partir de seus hospedeiros alternativos, que estão crescendo na periferia dos mesmos. Quando as cochonilhas colonizam plantas infectadas com vírus e movem-se para plantas sadias passam a realizar a disseminação secundária do vírus.

Para o controle do vírus em campo, deve-se utilizar mudas sadias para os novos plantios, eliminar as plantas infectadas dentro do plantio, assim como as plantas vizinhas, uma vez que foi observado que as plantas com murcha ocorrem agregadas. A erradicação de hospedeiros alternativos da cochonilha nas áreas adjacentes e dentro dos plantios e a destruição dos restos do cultivo anterior auxiliam no controle da murcha. O controle da cochonila vetora e das formigas associadas é fundamental para evitar a disseminação do vírus no plantio.

A colheita das mudas deve ser feita de preferência em áreas nas quais foi realizado um bom manejo, para obter mudas com baixa infestação de cochonilhas e vírus. A cura das mudas auxilia no extermínio das cochonilhas que estiverem presentes nas folhas mais externas, na base das mudas.

Métodos utilizados em laboratório permitem a detecção do vírus, mesmo em plantas infectadas que não estão expressando sintomas.

A eliminação do vírus de plantas infectadas pode ser obtida mediante a propagação de gemas em laboratório, seu posterior teste para ausência de vírus e, por fim, multiplicação das plantas sadias.

 

Fonte:
Paulo Ernesto Meissner Filho e Nilton Fritzons Sanches
Pesquisadores da Embrapa Mandioca e Fruticultura
E-mail: meissner@cnpmf.embrapa.br

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