Programa de recuperação ambiental do governo do Estado estimula produção
A produção de pau-brasil no Espírito Santo acabou levando o governo capixaba a incluir a espécie em seu programa de extensão rural e adequação ambiental das propriedades do Estado.
Criado em 2008, o "Campo Sustentável" incluiu a espécie na recuperação de áreas degradadas de propriedades de até 200 hectares, no primeiro projeto do gênero. Cerca de 145 produtores aderiram ao programa e a meta é chegar a 440 até o fim de 2011.
Assim como em outros Estados, menos de 10% das propriedades capixabas apresentam a Reserva Legal - cobertura vegetal de 20% exigida nas propriedades do bioma Mata Atlântica - ou Áreas de Proteção Permanente.
O governo escolheu oito regiões prioritárias, seguindo o princípio de bacias hidrográficas, corredores ecológicos e regiões com baixa cobertura florestal. "Para mim, 440 já é um número muito bom", diz Pedro Teixeira, coordenador do programa na Secretaria da Agricultura (Seag). "Não dá para andar mais rápido. Ainda enfrentamos resistência e desconfiança do produtor", diz, referindo-se ao medo de punição pela situação irregular.
Desde o início do programa, o governo já forneceu 700 mil mudas, entre ipês, jequitibás, perobas e frutíferas. Do total, 15 mil eram espécies de pau-brasil.
Além disso, um convênio entre 29 prefeituras, a Secretaria de Agricultura e o Instituto Verde Brasil forneceu 150 mil mudas de pau-brasil nos últimos cinco anos no projeto de extensão rural. A ideia é entregar 20 mudas por produtor, que planta a espécie de forma consorciada com a pecuária (ela serve de sombra ao gado). O plantio, porém, deve ser registrado no órgão ambiental para garantir a preservação da espécie.
"O pau-brasil foi quase extinto. Estamos começando a entender suas técnicas de plantio agora", afirma Pedro Galveias, do programa de silvicultura da Seag. (BB)