SCA amplia contratos para venda de etanol
Não há comercializadoras locais de etanol nas novas fronteiras, apesar da demanda, afirma Martinho Ono, da SCA
A SCA Trading, uma das maiores comercializadoras de etanol do país, vai iniciar a próxima safra de cana, a 2011/12, com mais cinco usinas associadas. Juntas, as empresas somam capacidade de moagem de cana de 16,2 milhões de toneladas e produção de 455 milhões de litros de etanol.
Com clientes de peso como a Cosan, a SCA Trading integra o grupo das empresas que lidera a consolidação de oferta de produtos derivados da cana, juntamente com a gigante Copersucar, que atua em açúcar e etanol, e a Bioagência, em etanol.
Esse modelo existe há algum tempo, mas nos últimos anos vem ganhando força como alternativa ao forte movimento de consolidação tradicional - fusões e aquisições. "Vender etanol via empresas de comercialização ajuda a trazer mais equilíbrio de forças na negociação com o concentrado mercado de distribuição de combustíveis", afirma Martinho Seiiti Ono, diretor da SCA Trading.
Com o mercado de São Paulo já fortemente disputado, a comercializadora está buscando também entrar mais agressivamente em outros Estados produtores de etanol, como Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.
Das cinco usinas recém-associadas da SCA, três são mineiras, segundo Ono. São elas a Vale do Tijuco, pertencente à Companhia Mineira de Açúcar e Álcool(CMAA), com capacidade de processamento de 3,3 milhões de toneladas de cana, a Companhia Energética do Vale do São Simão, do Grupo Andrade, e com moagem de 2,5 milhões de toneladas, e a Bioenergética Vale do Paracatu (Bevap), com processamento de 2,4 milhões de toneladas.
Com as adesões, a comercializadora dobra sua participação em Minas Gerais, o terceiro maior produtor de etanol do país. As outras novas unidades da SCA estão em Mato Grosso do Sul e Goiás, também novas fronteiras de produção de etanol, e pertencem à Cosan.
O executivo diz que a presença de comercializadoras locais de etanol é praticamente nula nesses Estados e há, portanto, demanda reprimida para ser atendida. Na medida em que essa empresas vão chegando, trazem mais planejamento na venda do biocombustível, diz ele. Em Minas Gerais, por exemplo, é comum o setor vender muito etanol para fora do Estado durante a safra - com desconto de frete no preço à usina - e depois, na entressafra, ter que importar o produto, também agregando custos ao produto final.
O diretor da SCA calcula que com esse tipo planejamento - para evitar exportação e importação interestadual - é possível trazer um retorno de remuneração à usina de 3% a 4% maior.
No caso de Goiás, que de três anos para cá passou a ser exportador de etanol, o esforço vem sendo feito para exportar o produto para o Nordeste em vez de colocar no Sudeste do país, como normalmente ocorre, explica ele.
Com as adesões, a SCA Trading entrará a safra 2011/12 com 55 usinas associadas e um volume de comercialização de 4,5 bilhões de litros, ainda menor do que o realizado na safra 2010/11, quando a empresa negociou 4,98 bilhões de litros. Isso porque, segundo Ono, os últimos movimentos de consolidação no setor resultaram na saída de alguns clientes. O maior deles foi a Santelisa Vale, que foi comprada pela francesa Louis Dreyfus.
A comercializadora perdeu ainda parte do volume da Açúcar Guarani, que agora tem como sócia a Petrobras. "A entrada dessas novas unidades e o crescimento de volume das já existentes compensaram grande parte da perda".
Neste ano, a Copersucar, também de olho na consolidação, entrou agressivamente na busca de associados. Nesta safra, a empresa está vendendo açúcar e etanol de usinas que somam moagem de 114 milhões de toneladas de cana, volume que deve subir para 138 milhões de toneladas em 2011. Atualmente, das 43 unidades associadas da Copersucar, quatro ficam fora do Estado de São Paulo. No caso da Bioagência, das 29 associadas, 12 estão fora de território paulista.