Verão exige cuidados específicos na agropecuária
ULTURAS Chegada da estação requer atenção de agricultores e pecuaristas
Muda-se a estação, mudamse os cuidados. No universo da agropecuária, a chegada no verão, no último dia 22 de dezembro, representou o início de um período favorável, mas que nem por isso dispensa cuidados da parte de agricultores e pecuaristas do Estado.
Na região oeste da Bahia, o períodoagora édechuvas. Para a plantação, que é geralmente realizada entre outubro e dezembro, a alta pluviométrica é bem-vinda.
“Achuvaénecessáriaaoflorescimento vegetativo. Se houver estiagem entre janeiro e fevereiro, há comprometimento da plantação”, ressalta o cotonicultor da região, Walter Horita.
Na opinião da técnica da Fundação Bahia,Marcela Prado, o grande desafio para os agricultores do oeste,durante a estação do sol, é o controle de pragas.
“Se não fizerumtratamento bemfeito, o produtor pode perder até 60% da lavoura”, estima. Lagartas de um modo geral, mosca-branca e percevejos são algumas das pragas comuns no verão.
Se por um lado as chuvas são necessárias ao florescimento da lavoura, por outro, oexcessodelaspodeprovocar doenças fúngicas. A solução, nestecaso,é manter a atenção na previsão do tempo e também na plantação.
O produtor Walter Horita mantém uma equipe de agronômos e técnicos agrícolas de olho na lavoura para não ter prejuízo com esse tipo de doença, que exige mais atenção do que as pragas.
“Quando você já enxerga a mancha amarelada na planta, sua produtividade já está muito comprometida”,observa Horita.
Prevenir os fungos não é tarefa fácil. Exige, além de conhecimento técnico, boa capacidade de previsão a respeito domomento de aplicar, previamente, os inseticidas e fungicidas. Eventuais erros podem significar perdas de 10% a 20% da lavoura.
A prevenção tem que ser constante. “Aplicou, choveu, tem que reaplicar”, ressalta o cotonicultor. Mas nem sempre o excesso de chuvas resulta em prejuízo para a lavoura.
“Se cuidar direitinho, pode não perder nada”, diz Horita, com o conhecimento de quem possui 26 anos de experiência em agricultura no oeste.
Criação O maior risco tanto para animais de corte como de leite nos próximos três meses está na queda da qualidade nutritiva da pastagem. De origem indiana, a raça zebu nelore, gado de corte bastante popular no Estado, não costuma sofrer com as altas temperaturas do verão.
Como gadoleiteiro,as principais recomendações dizem respeito ao bem-estar do animal.
Maior produtor de leite do Brasil, o girolando, resultante da mistura da raça zebu gir com a vaca holandesa, é sensível ao calor tropical.
Pastos sombreados e estábulo apropriado, como pé direito alto, e ventilado são cuidados básicos de janeiro a março. Adaptações na ração também são necessárias: “Temque ser uma ração mais fibrosa,não pode sertão energética”, diz o veterinário Guilherme Vieira.
A citricultura baiana é cultivada sob a condição de sequeiro.
Os produtores, no entanto, não teme calor forte da estação do sol. A principal recomendação, nos próximos meses, para quem cultiva citros, segundo o secretário executivo da Câmara Setorial, Geraldo Almeida Souza, émanter omato baixo para que a erva não corra pela água com as plantas.
Autilização da grade como intuito de fazer a eliminação total do mato deve ser evitada, segundo Almeida . Ao invés disso,é aconselhável a utilização da roçadeira embaixo das copas das plantas.
Só recomendamos a grade quando a planta é nova, tem até dois anos, e vai ser feito um consórcio de culturas (introdução de uma outra cultura)”, explica o representante da Câmara Setorial.
Desbrotamento Alguns cuidados básicos com a lavoura são indicados para esta época do ano, como a poda.
Realizar o desbrotamento, que consiste na eliminação dos vários brotos que surgem no tronco da árvore, também é importante.
O verão é adequado ainda ao controle de pragas por meio da pulverização. “No inverno, as chuvas atrapalham”, diz o representante da Câmara Setorial.