Novas canoas facilitam trabalho das marisqueiras no Recôncavo

11/01/2011

Novas canoas facilitam trabalho das marisqueiras no Recôncavo

 

Crispiniana de Sousa: ‘Não precisamos mais pagar R$ 5 de aluguel por dia porque agora temos nosso instrumento de trabalho feito por nós mesmas. E se quebrar, também aprendi a consertar! Estou muito feliz’

 

 

As marisqueiras do distrito de Acupe, em Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo, não precisam mais alugar embarcações para recolher peixes e mariscos. Graças à iniciativa do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado (Secti), em parceria com a prefeitura do município, cada uma delas recebeu, no último sábado, uma canoa de cinco metros construída em fibra de vidro.

As novas embarcações foram confeccionadas pelas próprias marisqueiras. Como parte do Projeto de Difusão Tecnológica e Científica, desenvolvido pela Secti, elas fizeram um curso de capacitação. No total, 40 mulheres participam da ação – 20 já estão qualificadas e de posse das canoas, enquanto as demais assistem aulas.

Satisfeita, Crispiniana de Sousa, 43 anos, exibe com orgulho seu certificado de aprovação. "Não precisamos mais pagar R$ 5 de aluguel por dia porque agora temos nosso instrumento de trabalho feito por nós mesmas. E se quebrar, também aprendi a consertar! Estou muito feliz", disse a marisqueira, que aprendeu o ofício com a mãe e, hoje, se dedica à atividade para sustentar cinco filhos e três netos.

As canoas são apropriadas às mulheres: leves e fáceis de carregar. O material utilizado (fibra de vidro) permite que se afastem até 18 quilômetros da costa, distância maior que a alcançada pelas canoas de madeira, e exerçam suas atividades em locais onde o marisco apresenta melhor qualidade.

Em homenagem às mulheres de destaque na história nacional, as embarcações receberam os nomes de Maria Felipa e Anita Garibaldi.

Parceiros – Para viabilizar a ação, foram investidos R$ 220 mil. "Mais do que dar os instrumentos de trabalho, ensinamos a fazê-los. Isso é inovador na Bahia e no Brasil. Trata-se da aplicação da tecnologia social com foco na inclusão produtiva", afirmou o secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação, Feliciano Tavares.

Segundo ele, a iniciativa certamente terá continuidade em outras cidades e, para isso, "vamos trabalhar para atrair parceiros interessados a promover, junto ao Governo do Estado, desenvolvimento tecnológico e social na Bahia."

Kit – Além das canoas, as trabalhadoras receberam um kit de mariscagem (peneiras, facão, panelas, luvas e baldes). A ideia é que as participantes do projeto estendam seus conhecimentos a outras pessoas da comunidade onde atuam, ajudando a dinamizar a economia da região.

"O que parece uma simples canoa é, na verdade, a valorização destas mulheres. Sei que, motivadas como estão, vão aprimorar o trabalho que fazem, melhorando, consequentemente, a vida socioeconômica aqui", pontuou o prefeito de Santo Amaro, Ricardo Machado.

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