Tecnologia 3G ajuda famílias de maricultores de Cabrália
Cerca de 80 pescadores e artesãos pretendem incrementar a renda a partir da avaliação de dados com o uso de smartphone conectado à internet
MÁRIO BITTENCOURT Santa Cruz Cabrália
Um projeto de maricultura que vem sendo desenvolvido em Santa Cruz Cabrália, a 727 km de Salvador, no extremo sul da Bahia, está trazendo esperança de incremento de renda e diversificação de atividade para cerca de 80 pescadores e artesãos da cidade. Mas esse não é um projeto de maricultura qualquer: a tecnologia é a principal aliada no cultivo e no comércio do marisco, iniciativa pioneira na América Latina.
Num aparelho smartphone, conectado à internet por meio de redes sem fio 3G, os maricultores vão colocando dados sobre o cultivo – desde as primeiras sementes de ostra, cujo tamanho nessa fase vai até 4 cm, até a fase de venda, que já pode ser feita quando a ostra alcança 8 cm.As ostras são separadas em equipamentos chamados lanternas,onde há cinco compartimentos, e colocadas no mar.
Controle
Além dos dados sobre o desenvolvimento das ostras, no aparelho também se registram as condições da água do mar (temperatura, salinidade, ph), e com isso é possível ter ideia de como o cultivo está sendo feito. Os produtores podem saber se é a forma correta para ter uma boa produção, exercendo-se um controle.
Registrados os dados no aparelho, eles são transmitidos para o site do projeto, onde se pode observar não só a quantidade de mariscos disponíveis para a comercialização, mas também como é feito esse cultivo. E os maricultores podem ter acesso ainda às condições do mercado e fazer planos.
“Ainda não temos uma perspectiva de quanto cada maricultor vai ganhar, mas temos a certeza que o emprego dessa tecnologia e os métodos de criação serão um diferencial no momento da venda, com relação aos outros mariscos. Vamos agregar qualidade ao produto deles e com isso poderão exigir um preço melhor. Daí virá o ganho.
E ao final do projeto, esperamos que eles possam estar ganhando dinheiro para poder seguir de forma autônoma com a atividade, sem precisar do nosso apoio técnico como está sendo feito durante esse tempo. Eles vão caminhar com as próprias pernas”,declarou o engenheiro de pesca Ricardo Salgueiro, que fica em Santa Cruz Cabrália auxiliando os maricultores.
O projeto Pescando com Redes 3G está sendo realizado desde setembro do ano passado e tem duração de dois anos. É de autoria da Qual com, empresa multinacional que atua na área de desenvolvimento de tecnologia de redes sem fio. A iniciativa pretende fomentar o desenvolvimento econômico sustentável e aumentar a segurança na navegação, além de promover a inclusão digital e social.
Desenvolvido pelos engenheiros de pesca Thiago Trombeta e Ricardo Salgueiro –ambos do Instituto Ambiental Brasil Sustentável (IABS), uma organização social de interesse público que tem sede em Brasília e dá apoio técnico para o projeto ser aplicado junto às comunidades – o sistema integra aplicativos móveis instalados em dispositivos portáteis e aplicativos baseados na web para apoiar a atividade pesqueira.
Ostras