Chuvas no Sudeste vão provocar alta no preço de hortaliças na Bahia

24/01/2011

Chuvas no Sudeste vão provocar alta no preço de hortaliças na Bahia

 

Em função da queda na oferta, produtos como tomate, pimentão e batata ficarão mais caros

 

 

JULIANA BRITO


Com a chuva forte no Sudeste, especialmente no Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo,há a expectativa de prejuízo nas lavouras de hortifruti da região. Mas outras áreas produtoras no País podem vir a lucrar com carência da oferta. É o caso das regiões da Chapada Diamantina e Jaguaquara, na Bahia.

A alta não deve refletir nas folháceas, que geralmente não são transportadas para áreas muito distantes, mas em produtos como o tomate, a batata e o pimentão. “São Paulo, Espírito Santo e Rio de Janeiro são produtores de tomate, que deve começar a faltar lá e em outros mercados.

Jaguaquara e a Chapada são regiões que ajudarão a suprir essa demanda e, por isso, a curto e médio prazos, esse preço tenderá a subir”, diz o secretário da Agricultura da Bahia, Eduardo Salles.

Vantagem


A oferta de hortifruti na Bahia não deve sofrer alterações.

Haverá alta no preço”, diz Salles. Apesar de a Bahia não constar entre os principais produtores de batata e tomate do Brasil, possui a vantagem de contar com a irrigação.

“Podemos rapidamente suprir o mercado. No Sudeste, não é assim”, observa Salles.

O coordenador do Agropolo Ibicoara-Mucugê, Evilásio Fraga, diz que tem sorte quem faz acolheita neste momento.

“O preço da hortaliça é definido diariamente, e agora a tendência é ser favorecido pelo reflexos das chuvas no Sudeste”, diz.

“A curto e médio prazos, o preço da produção de tomate tende a subir” EDUARDO SALLES, secretário da Agricultura do Estado

 

Produção do Estado deve abastecer Norte e Nordeste


A tendência,no caso da Bahia, é abastecer as áreas do Nordeste e cidades nortistas, como Belém e Manaus. Mas a venda para os estados castigados pela chuva,que não são regiões consumidoras da produção baiana, pode ocorrer.

“Essa é uma faixa do Brasil que produz muito e tem uma população muito grande”, conta o coordenador do Agropolo Ibicoara-Mucugê, Evilásio Fraga, ressaltando que, com a chuva, há maior risco de doenças nas lavouras do Sudeste.

“A chuva traz problemas para a produção, pois altera o ambiente da planta”, diz Fraga.

“As altas temperaturas e o excesso de água provocam problemas como pragas e fungos, que passam a surgir em maior quantidade nas plantas”, explica.

As chuvas, assinala Fraga, além de comprometer as lavouras, tendem a criar mais prejuízos a curto prazo. “Daqui a 30, 60 dias, vamos ver reflexos disso. As lavouras não vão se desenvolver plenamente”, acredita.

Incerteza Apesar de a previsão ser positiva para a Bahia, os produtores preferem não se entusiasmar demais diante das perspectivas de ganho. “Há 60% a 70% de chance do hortifruti ter alta de preço, mas o Brasil é muito grande. Há muitas regiões produtoras”, observa Mauro Pannac, diretor comercial da Pagisa, empresa dos etor de agronegócio sediada em Ibicoara.

Pannac lembra que, mesmo coma alta, a médio prazo atendência é que o preço caia, devido ao aumento do número de produtores atraídos pelos bons preços que impulsionarão a oferta.

“Este ano vai acontecer o mesmo que ocorreu no ano passado: as chuvas de dezembro e janeiro repercutirão no preço até abril. Depois, no segundo semestre, o preço cai”, avalia Pannac.

O coordenador do Agropolo Ibicoara-Mucugê também admite que mudanças climáticas repentinas no Sudeste podem minimizar a previsão de alta nos preços de hortifruti.

“Se a chuva parar de ocorrer, os efeitos dela nos preços serão diminuídos. Se não parar, os efeitos se agravam”, diz Fraga.

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