Governador faz palestra para dirigentes de fabricante mundial de cervejas
Evento global: Jaques Wagner falou sobre o tema ‘Nova realidade brasileira e os novos governos federal e estaduais’
Com previsão de gerar mais de 60 mil empregos e investir R$ 7 bilhões no país, o Conselho de Administração da Anheuser-Busch InBev (AB InBev) – empresa da qual a AmBev faz parte – realizou ontem, na sede da Companhia de Bebidas das Américas, localizada em Valéria, periferia de Salvador, uma reunião que teve como convidado o governador Jaques Wagner.
De acordo com o vice-presidente de Relações Corporativas da AmBev para a América Latina, Milton Seligman, o evento global acontece uma vez por ano no Brasil, em diferentes regiões.
A escolha pelo Estado da Bahia e do governador para ministrar a palestra sobre o tema Nova realidade brasileira e os novos governos federal e estaduais está relacionada ao crescimento econômico do Nordeste e, em particular, da Bahia.
"A região tem apresentado taxas de crescimento bastante superior à média brasileira, quase comparadas a índices chineses. Isso atrai a atenção de todas as companhias, porque esse dado implica em aumento da nossa atividade, em maiores investimentos, maior geração de emprego e consumo. Enfim, desafios produtivos de uma atividade pujante", explica o representante da AmBev.
Modelo econômico – A adoção de mecanismos de controle à inflação, a concepção de responsabilidade fiscal e a continuidade de um modelo econômico como medidas que fizeram o Brasil sair mais rapidamente da crise econômica de 2008 foram destacados por Jaques Wagner.
"O grande feito de Lula foi entender que o grande drama brasileiro estava calcado nas desigualdades, na miséria e pobreza. Ele iniciou um novo período, construindo pontes, consensos e entendimentos, representando como ninguém a alma brasileira", descreveu.
O governador enumerou os avanços de 25 anos de democracia sem interrupção, como as 29 milhões de pessoas que saíram da pobreza, e passaram para as classes D e E. Além da inserção de 35 milhões de brasileiros na classe C. Ele ressaltou que a previsão é de que até 2014 sejam incorporados mais 18 milhões de brasileiros nessa classe.
‘Marolinha’ – Jaques Wagner falou ainda que quando foi anunciada a crise, o ex-presidente foi a público e a nominou de ‘marolinha’, convocando trabalhadores a não pararem de comprar e aos empresários que não demitissem no primeiro momento.
"Ou seja, como líder, ele tinha dois caminhos: ou chegar tremendo ou puxar o povo para fazer uma reação. Não há um segredo que possa ser replicado em outro lugar. E o grande problema do Brasil era tentar repetir modelos.
Números sobre o Brasil e a Bahia mostram mobilidade social
Segundo informações do governo estadual, a indústria de alimentos e bebidas cresceu acima da média nordestina e brasileira. De acordo com o governador, pela primeira vez, nos últimos 20 anos, há um movimento migratório ao contrário, que sempre foi de saída da população para o Sul e Sudeste, em busca de trabalho.
"De dois anos pra cá, o movimento é positivo, no sentido do retorno. Tem mais gente voltando do que saindo", comentou.
De 2003 a 2009, foram criados 15 milhões de empregos no Brasil. Nos últimos quatro anos, o estado gerou 300 mil empregos.
Em 2003, a classe média cresceu dos 66 milhões para 95 milhões. E a projeção é de que haja um crescimento para 113 milhões. "Estamos promovendo uma mobilidade social. Quem foi considerado um dia miserável, galga hoje posições nas classes D e E. Esses, por sua vez, foram para C e assim sucessivamente."
Inclusão produtiva – O governador afirmou que esse movimento é reflexo da geração de emprego, inclusão produtiva, do empreendedorismo, dos programas sociais de transferências de renda e dos investimentos públicos.
Na Bahia, a classe C teve um aumento de 33 milhões de pessoas em oito anos. Enquanto a região Nordeste teve um crescimento, nos últimos oito anos, de 25.8%.
Com orçamento anual de R$ 22 bilhões, a maior economia do Nordeste, com 14 milhões de habitantes distribuídos pelos 570 mil quilômetros quadrados de território, registrou um índice de 28.9%.
"Somos, aproximadamente, 4,5% do PIB nacional, com uma economia diversificada, que vai desde agricultura familiar até tecnologia. Temos o maior polo integrado em Camaçari, somos o segundo maior produtor de algodão do Brasil. Quarto produtor de soja e vamos ser a maior bacia leiteira do mundo", estimou Wagner.