Nordeste exporta tecnologia de convivência com seca para o Sul do País

28/01/2011

Nordeste exporta tecnologia de convivência com seca para o Sul do País

 

 

A tecnologia de cisternas, desenvolvida no nordeste brasileiro para conviver com o clima do semiárido, começa a ser repassada para o Sul do País. Perto da fronteira com o Uruguai as estiagens estão cada vez mais freqüentes: oito secas em 11 anos. Nessa região, os períodos sem chuvas também tendem a ser cada vez mais longos, a atual já chega a seis meses. "Os moradores estão assustados com a mudança climática, que é bastante recente", diz o coordenador-geral de Acesso à Água do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), Igor Arsky.

O MDS prepara um edital para a construção de 6 mil cisternas, o primeiro a ser elaborado para famílias agricultoras fora do semiárido nordestino. O público e os objetivos serão semelhantes: fornecer uma alternativa a quem vive em sítios isolados e fica sem água para o consumo pessoal (beber, cozinhar e higiene). O MDS espera também que alguns desafios sejam os mesmos, como a capacitação do morador para receber o equipamento, por exemplo.

A reserva de água da chuva é suficiente para cerca de oito meses e deve ser protegida de qualquer contaminação, como o contato com insetos, ratos e outros animais. Bastante pura para ser armazenada sem problemas, ela não pode ser misturada com outra de fonte menos confiável. No Nordeste, essa água de má qualidade é vendida num mercado paralelo, por meio de caminhões pipa. Como essa cultura ainda não existe no Rio Grande do Sul, é possível que esse seja um problema a menos para transferir a tecnologia.

Segundo Arsky, a iniciativa deverá despertar na socidade local uma necessária consciência ambiental, já que grande parte do problema enfrentado hoje pelos gaúchos se deve a um modelo inadequado de uso dos recursos naturais. O agricultor não poderá mais desperdiçar água na irrigação ou permitir a perda de cobertura do solo e erosão. "A convivência com a seca implica gestão racional da água e não usar mais do que o necessário", diz Arsky.

O próximo passo será levar as outras tecnologias, como barraginhas e cisternas de calçada (com mais capacidade para uso na agricultura), e a introdução de novas culturas mais resistentes. "Esse é o começo do processo, que visa salvar as famílias da sede, mas, com a nossa experiência acumulada no Nordeste, podemos esperar que outras boas práticas serão desenvolvidas em seguida", avalia. O Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) deverá anunciar, até o final deste mês, um pacote de medidas para a agricultura familiar da região atingida pela seca.

PROGRAMA CISTERNAS LEVA QUALIDADE DE VIDA AO SERTANEJO

No Nordeste, 470 mil famílias já receberam as cisternas destinadas a consumo humano, com a água coletada em telhados e capacidade para 16 mil litros. Isso é suficiente para uma família de cinco pessoas agüentar a seca. Em 2007, uma pesquisa com 4.189 domicílios rurais, atendidos ou não pelo programa, constatou as diferenças na qualidade de vida de quem tem acesso ao sistema.

A melhoria da qualidade da água consumida reduziu a frequência em que adultos e crianças ficam doentes. E houve uma redução do tempo dedicado para busca e transporte de água, reduzindo dramaticamente a carga de trabalho de mulheres e crianças. Sem a cisterna, o nordestino passa 36 dias no ano trabalhando para conseguir água.

A cisterna é construída por pedreiros e pelas próprias famílias, que escavam o buraco de dois metros de profundidade para a construção. Os pedreiros são remunerados pelo programa e a contribuição das famílias nos trabalhos de construção se caracteriza com a contrapartida no processo.

Além de água de beber, o nordeste já construiu 5,7 mil cisternas de 52 mil litros, o suficiente para garantir a produção de alimentos para a subsistência, hortas e criação de animais. A água neste caso é coletada numa calçada limpa ou de um tanque de decantação que coleta o fluxo de uma enxurrada.

ESCOLAS COM RESERVAS DE ÁGUA PRÓPRIA

Unindo os acessos à água para beber e para produzir, o MDS desenvolveu o Programa Cisternas nas Escolas, em parceria com o Governo da Bahia e o Ministério da Educação (MEC), que financiou 110 cisternas.

O projeto conta com investimento de R$ 5,2 milhões e beneficia 13 municípios baianos com os mais baixos Índices de Desenvolvimento Humano (IDH). Dessa forma, além das escolas, as famílias das crianças pertencentes a essas unidades educacionais também serão beneficiadas com a construção de mais 811 cisternas de consumo.

MAIS INFORMAÇÕES

Coordenação-Geral de Acesso à Água
Departamento de Promoção da Alimentação Adequada
Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sesan)
Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS)
Esplanada dos Ministérios - Bloco C - 4º andar - Sala 446
CEP 70054-900 - Brasília/DF
Telefone: (61) 3433-1182
E-mail: cisternas@mds.gov.br

 


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