Exportação de mamão bate recorde na Bahia
João Pedro Pitombo
Presença constante no café da manhã das famílias baianas, o mamão produzido na Bahia tem feito sucesso na mesa de alemães, espanhóis, ingleses e consumidores de outros dez países. O volume de mamão papaia fresco exportado por produtores do Estado cresceu sete vezes em dez anos, atingindo a marca recorde de 7,6 mil toneladas vendidas para outros países em 2010.
Principal produtor de mamão papaia do Brasil, a Bahia tem no Extremo-Sul e o Oeste do Estado as principais áreas de cultivo. No ano passado, o destaque da produção foi para o município de Luís Eduardo Magalhães, que, com apenas três fazendas, foi responsável por mais da metade das exportações de mamão do estado, cerca de 4,3 mil toneladas.
Também foi destaque nas exportações de mamão o municípios de Mucuri, na fronteira com o Espírito Santo, que entre 2009 e 2010 experimentou um salto de 583% no volume da fruta vendido para outros países. Em um ano, o volume de mamão exportado em Mucuri cresceu de 160 para 1.093 toneladas.
Bello Fruit Diretor da Bello Fruit,empresa com sede em Mucuri,o empresário Ulisses Brambini tem 500 hectares de produção própria de mamão formosa, golden e sunrise, além de ter como fornecedores outros cinco produtores de mamão da região.Cerca de30%das vendas da empresa são voltadas para Europa e Estados Unidos.
Brambini avalia os resultados de 2010 como positivos.Odesafio para 2011, agora, é conquistar novos mercados: “Estamos tentando entrar forte no mundo árabe para abastecer o Oriente Médio e os países do norte da África”, explica o empresário.
A principal dificuldade para expansão das exportações está nas exigências do mercado externo, que demanda um produto de extrema qualidade e que atenda a todas normas fitossanitárias internacionais.
Para exportar o mamão in natura é preciso uma verdadeira operação de guerra: o produto deixa a Bahia em caminhões e seguem para aeroportos no Rio de Janeiro e São Paulo, onde embarcam para o exterior.
A principal dificuldade é fazer com que o mamão chegue à mesa do consumidor antes que este estrague. “Tivemos alguns problemas com embarques marítimos, por isso, estamos exportando por meio de aviões. O problema é que os custos são muito altos”, afirma Brambini.
De acordo como o superintendente de Desenvolvimento Agropecuário da Secretaria de Agricultura do Estado, Raimudo Sampaio, o governo da Bahia está trabalhado para superar as barreiras sanitárias do mercado internacional, monitorando a produção desde o plantio, passando por manejo,colheita e controle de pragas, tais como as “viroses” do mamoeiro e as moscas da fruta.“Também estamos trabalhando para manter uma produção integrada de frutas, no sentido de buscar uma certificação de origem”, diz.
Preços em baixa e real valorizado criam cenário desfavorável
Apesar dos bons resultados em 2010,o cenário para a próxima safra ainda é nebuloso.
Desde o último trimestre de 2009, os preços entraram em baixa, puxada pelo excesso de oferta do produto no mercado interno.
Além da própria Bahia, a boa produção das regiões norte do Espírito Santo e de Minas Gerais inundaram o mercado brasileiro.
O produtor Benedito Soares, proprietário de uma área de 400 hectares de mamão em Teixeira de Freitas,diz que vender internamente está sendo um péssimo negócio.
A média de preços,que normalmente gira em torno de cinquenta centavos o quilo, caiu para dez centavos no final de 2010.
“Para alterar este cenário, não tem outra solução senão produzir menos em andar para o mercado um produto de maior qualidade. Caso contrário, é provável que o mercado continue ruim para todos ”, explica Soares. Diante deste panorama,ele pretende reduzir a área plantada de mamão e apostar na produção de banana, que possui menos oscilações de preço.
Câmbio Até o mercado externo, que vem sendo um negócio e tanto para os produtores baianos, não tem um horizontede bons negócios. Apesar do volume de vendas seguir em alta, o real valorizado é o principal vilão das exportações.
Ulisses Brambini, da Bello Fruit, diz que o câmbio desfavorável entre o real e o euro reduziu a margem de lucro. A moeda europeia, que há um ano era cotada em R$ 2,57, fechou a última semana cotado em R$ 2,27.
Benedito Soares acredita que ainda falta uma produção de mamão em escala para enfrentar as oscilações cambiais e ter competitividade no mercado internacional.