Mais de 200 áreas aptas para plantio de caju
O Ministério da Agricultura divulgou locais propícios ao cultivo. Na Bahia, 229 municípios foram indicados
Alana fraga
A maior parte da safra de caju já teve a colheita deste ano encerrada em quase todo o Estado, mas os produtores já se preparam para a nova fase.No mês passado, o Ministério da Agricultura divulgou, no Diário Oficial da União(do dia 11 de fevereiro), mais de 200 áreas aptas para o plantio da fruta na Bahia, assim como nos demais estados nordestinos produtores de caju.
O plantio do caju exige condições climáticas específicas, conforme explica o chefe-geral da Embrapa Agroindústria Tropical (Fortaleza-CE), Vítor Hugo de Oliveira. “Com relação às chuvas, deve-se evitar as regiões nas quais as precipitações não atingem 600 mm, especialmente se o cultivo for feito sob regime de sequeiro. Neste último caso, a precipitação adequada está na faixa de 800 a 1.300 mm anuais”, destaca o técnico.
A temperatura média de 27°C é a mais apropriada para o cajueiro, apesar de suportar temperaturas médias mais elevadas (33°C a 37°C). Já a faixa de umidade relativa do ar considerada mais adequada situa-se entre 70% e 80%.Além disso, de acordo com Oliveira, deve-se evitar o plantio em regiões com ventos muito fortes, responsáveis pela queda de flores e frutos jovens, além do tombamento de plantas novas. “Locais onde ocorrem ventos com velocidade superior a 7 m/s não são recomendadas para o plantio do cajueiro”, afirma.
Com 60 mil mudas a mais de caju anão precoce – antes só encontrado no Piauí e no Ceará –, o produtor José Macário Lisboa, domunicípio de Itapicuru, se prepara com a previsão da próxima colheita para setembro ou outubro até fevereiro ou março de 2012.Sua produção, comercializada in natura, é toda escoada para fábricas de sucos e polpas da Bahia e Sergipe. “A partir do momento que encerra a safra, a gente já começa a fazer a poda dos cajueiros para tirar os galhos mais pesados para não ‘roubarem’ a força dos que virão”.
Em anos normais,o Nordeste, responsável por 95% da produção nacional, produz cerca de 300 toneladas de castanha de caju porano.A Bahia,como quarto maior produtor do País, vem aumentando a sua participação na produção nacional entre 5 e 10%, segundo Oliveira, com uma produção anual de aproximadamente seis mil toneladas de castanha de caju, conforme o engenheiro agrônomo da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), José Augusto Garcia. No entanto, houve uma redução de aproximadamente 110 mil toneladas na última safra (2010/2011). “Essa redução ocorreu, principalmente, em função de fatores climáticos, especialmente pela escassez de chuvas”, explica Oliveira.