Faeb destaca o crescimento do agronegócio
Alessandra Nascimento
Com o agronegócio em franco crescimento, o que o faz representar 24% do PIB do Estado, o setor já projeta expansão para os próximos anos. Segundo o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia, João Martins, em 2010, a agricultura baiana alcançou altos índices de produtividade, com destaque para a produção de grãos.
“O desempenho acentuado da agropecuária baiana nos últimos anos, tem revelado uma evolução na postura da classe ruralista, demandando novos conhecimentos técnicos e novos sistemas de gestão”, disse o presidente da FAEB.
Ele diz que, contudo, há sérios desafios a serem superados. “Apesar de observarmos melhorias na malha federal e estadual, ainda existem rodovias e estradas vicinais deficientes onerando o custo no escoamento da produção, provocando consequentemente um achatamento no preço do produto nas propriedades. Cito ainda a falta de infraestrutura nos portos e aeroportos para escoamento do produto baiano, levando muitas vezes a transferência a outros Estados”, revela.
Martins aponta trechos que precisam passar por melhorias imediatas. “O acesso mais complicado continua sendo a BR 116, que necessita de uma duplicação na estrada, pois a mesma tem um tráfego intenso.
A BR 324, depois de privatizada, melhorou bastante, mais ainda é uma estrada que não está dimensionada receber uma quantidade de cargas adequadas a um tráfego pesado, como exemplo os grandes caminhões, que hoje estão trafegando”, cita.
Endividamento - Sobre a questão do endividamento rural, Martins diz que as dívidas oriundas da cultura cacaueira estão sendo renegociadas, bem como as dividas dos agricultores do Vale do São Francisco.
“Esse ano, algumas operações e as dívidas transferidas para a Dívida Ativa da União, também estão sendo renegociadas. Apesar de tudo isso, muitos contratos ainda não foram contemplados com as renegociações vigentes. Os produtores de cacau se reuniram e formaram um mutirão para adesão a renegociação das dívidas dos cacauicultores, autorizada pela Resolução 3944 do Banco Central do Brasil”, declara.
João Martins destaca que os cacauicultores terão até o dia 31 de maio deste ano para manifestarem interesse em aderir ao processo de renegociação de suas dividas. “Eles também terão até o dia 30 de junho de 2011, para a liquidação da operação ou amortização mínima exigida do mutuário como condição de renegociação de suas dividas, com descontos previstos para 2011, quando for o caso”, frisa.
Franca expansão
O presidente da Faeb considera o Oeste baiano uma região em franca expansão. “É preciso destacar a busca constante de aplicações tecnológicas e equipamentos de ponta, com índices de produtividade superiores a qualquer outra região do país. Com o uso intensivo de tecnologia, a região Oeste destaca-se como polo produtivo de grãos, frutas, pecuária de corte e leite e avicultura. A previsão é uma safra recorde para o ano de 2011”.
Martins também considera danoso o excesso de burocracia no processo de licenciamento ambiental, o que segundo ele se mostra um empecilho para a instalação de novos empreendimentos agrícolas e agroindustriais. “Poderia ser mais dinamizado, se houvesse menos burocracia e mais agilidade na concessão de licenças ambientais. A insegurança jurídica no campo, a exemplo da violência, invasões de propriedades, assaltos, falta de policiamento na zona rural, são fatos que necessitam de maior atenção”, comenta.