Sem-terra continuam acampados no CAB
Os três mil militantes do Movimento Sem -Terra seguem acampados na Secretaria da Agricultura (Seagri), no Centro Administrativo (CAB), e sem estrutura suficiente para acomodação. Os trabalhadores estão retirando bambu da vegetação para construção das barracas sob os olhos de um vigia que fazia a ronda. A assessoria da Secretaria Estadual de Relações Institucionais (Serin), que está no comando das negociações, disse não ter conhecimento sobre a retirada, mas que iria fazer uma vistoria nas áreas.
O diretor estadual do movimento, Wueldes Valério Queiroz, mesmo sabendo que se tratava de uma retirada irregular, justificou que os bambus que foram extraídos estavam secos e que já teriam solicitado madeiras para a construção de mais acampamento.
“Já tínhamos solicitado cabanas, pois tem algumas pessoas sem acomodação, como ainda não fomos atendidos, alguns bambus secos foram retirados, mas nada que devaste a mata.Seria até contraditório, pois defendemos o Meio Ambiente e todas as vezes que saímos de um acampamento fazemos plantio de árvores”, explicou Wueldes.
Começa hoje pela tarde a rodada de reuniões entre representantes do MST juntamente com o titular da Serin, Cezar Lisboa, e a comissão formada por várias secretarias para debater a pauta de reivindicações. Caso não haja acordo, os manifestantes pretendem esperar o governador Jaques Wagner, que está na China, com retorno previsto para o sábado.
“Se não tiver acordo, vamos fazer uma reunião com os trabalhadores e decidir outras ações, até o governador chegar, mas só iremos sair depois de fazer um acordo”, disse a representante do movimento, Lucinéia Duran.
Os militantes ocuparam as dependências externas do CAB, focalizando na frente da Seagri, na segunda-feira (11), como parte da jornada de protestos do chamado Abril Vermelho, em que o movimento protesta contra a execução das 19 vítimas, em Eldorado dos Carajás, assassinados pela Polícia Militar do Pará em 17 de Abril de 1996. Porém, além de lembrar os trabalhadores rurais, cobra do governo avanços na Reforma Agrária.
Uma das reivindicações do movimento é para a implantação de 13 escolas nos assentamentos, repasse dos recursos para as 25 mil famílias acampadas na Bahia, assim como garantia de cesta básica, assentamento de 15 mil pessoas, no qual 10 mil propriedades já estão em processo de desapropriação.
“A pauta de reivindicações é extensa. Em 2007 realizamos um acordo com o Governo Estadual, que se comprometeu com uma série de ações que não se concretizaram. Queremos, além de terra, estrutura como escola e saúde”, explicou Queiroz.
Fonte:
Lucy Andrade
Jornal Tribuna da Bahia