Para a OIE, país deve informações
A Organização Mundial da Saúde Animal (OIE) indica que o Brasil não forneceu todas as informações pedidas para ter revisada sua situação em relação à doença de "vaca louca" e passar de risco controlado para risco insignificante. O problema, segundo fontes na Europa, é que o Brasil importou gado bovino europeu na época da epidemia da doença no continente e ainda não conseguiu mostrar o destino desses animais.
A OIE mantém o Brasil na categoria de risco controlado da doença ao lado de países que já tiveram a enfermidade, como nações da Europa e os EUA. Por sua vez, Argentina e Austrália, outros grandes produtores de carne bovina, estão na categoria de risco insignificante, o que dá vantagem competitiva no mercado de carnes.
Procurada, a OIE foi econômica nas respostas ao Valor sobre a situação do Brasil. A entidade confirmou que o país pediu no fim de 2009 revisão de seu status para a doença. E que, após avaliação do pedido no início de 2010, foi demandado ao Brasil que fornecesse elementos complementares para validar a demanda de obtenção do status de risco insignificante.
A OIE dá a entender que as autoridades brasileiras não responderam satisfatoriamente. Limita-se a lembrar que a avaliação dos pedidos dos países para reconhecimento de status de doenças prioritárias, como a "vaca louca", ocorre uma vez por ano entre novembro e fevereiro, "o que não exclui uma revisão do status do Brasil na próxima etapa de avaliações".
Fontes na Europa confirmaram que a OIE fez várias demandas ao Brasil, mas o principal argumento para recusar a reclassificação foi o fato de o país não poder dizer para onde foi o gado importado da Europa.
Apesar de ser um órgão cientifico, as decisões da OIE são influenciadas politicamente pelos países e, segundo as mesmas fontes, a pressão parece ter sido forte para que o Brasil fosse mantido na categoria de risco controlado.
Uma das razões é que isso satisfaz os europeus, já que deixa o Brasil - o maior exportador global de carne bovina - na mesma categoria de risco dos 21 dos países da UE. Também a Argentina não estaria insatisfeita com o status brasileiro.
Os EUA, que como o Brasil tiveram recusado o pedido de redução de risco, também preferem seu concorrente na mesma categoria, já que uma reclassificação teria impacto comercial.