Produção de charutos baianos passa por controle rigoroso

12/05/2011

Produção de charutos baianos passa por controle rigoroso


Pode levar até dois anos para a folha do fumo ser transformada em charuto. Quatro meses após o plantio, o tabaco é colhido e passa pelo processo de secagem, fermentação, seleção, enfardamento e segue para a exportação ou para as fábricas da região. Todo o processo é monitorado com o controle rigoroso da umidade e temperatura dos locais de armazenamento.

A cadeia produtiva do charuto emprega 14 mil pessoas no Recôncavo, a maioria agricultores familiares, sendo 90% de mulheres. Rita de Jesus trabalha há 32 anos na produção e fala da importância da cultura do tabaco na sua vida. "Consegui criar meus três filhos, que puderam estudar. Já me aposentei e continuo trabalhando aqui na fábrica de São Félix."

Carteira assinada - A presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria do Fumo, Josenita Souza Salomão, 70 anos, há 50 sobrevive da atividade. "Todo mundo tem carteira assinada, recebe lanche, a jornada diária é de oito horas, de segunda a sexta-feira e, se tiver que trabalhar no fim de semana, recebe hora extra. As indústrias fornecem ainda adubo e assistência técnica."

Segundo Josenita, a cultura é rentável e o retorno é imediato, sendo mais vantajosa do que o aipim, o milho e a mandioca, que também são beneficiados após a colheita do fumo pelo adubo fornecido pelas indústrias do tabaco.


Reconhecimento na Europa


A produção de fumo na Bahia se concentra na região do Recôncavo, principalmente em Cruz das Almas. Cerca de três mil empregos diretos são gerados só neste município, mobilizando 5% da população em função da cultura do tabaco, cuja qualidade já é conhecida pelo mercado europeu e é tão boa ou superior à dos charutos cubanos.

A Bahia exporta 97% da produção de folhas de fumo, principalmente para a Holanda e a Alemanha.

No ano passado, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o estado produziu 6,15 mil toneladas numa área de 5,8 mil hectares, ocupando a quinta posição no ranking do país, atrás de Alagoas, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Com relação aos charutos, a Bahia produz hoje cinco milhões de unidades por ano em oito municípios: Cruz das Almas, Muritiba, São Félix, Cachoeira, Paraguaçu, Conceição do Almeida, Simões Filho e Salvador.

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