Crise do sisal debatida em Conceição do Coité
Conceição do Coité (Por Pedro Oliveira – Da Sucursal Regional do Sisal) - Buscar alternativas que visem resolver a crise da lavoura do sisal, que passa por um processo de decadência sem precedentes devido à falta de investimentos em novas tecnologias para a extração do produto, aliado à estagnação da mão de obra.
Foi a pauta da audiência pública realizada pela Comissão de Agricultura da Assembleia Legislativa da Bahia, quinta-feira, no Centro Cultural Ana Rios de Araújo em Conceição do Coité, com a presença de deputados, secretários estaduais, prefeitos, exportadores de sisal, produtores rurais, representantes de instituições governamentais e não governamentais, entre outros.
A mesa diretiva da audiência pública presidida pelo deputado peemedebista Timóteo Brito, contou com a presença do secretário de Ciências, Tecnologia e Inovação, Paulo Câmara, o diretor superintendente do Ibrafibras, Fábio Teixeira, o superintendente de Desenvolvimento Agropecuário da Seagri, Raimundo Sampaio, os deputados estaduais: Tom Araújo (DEM), Joacy Dourado (PT), Luizinho Sobral (PTN), Coronel Giberto Santana (PTN), Herbet Brandão (DEM), o prefeito anfitrião Renato Souza, o presidente da Associação dos Produtores de Sisal da Bahia, Misael Ferreira e o presidente do Sindifibras, Wilson Andrade.
Segundo Fábio Teixeira, superintendente do Instituto Brasileiro de Fibras Naturais – Ibrafibras, a entidade está desenvolvendo um projeto em parceria com a Petrobras Bicombustível e o Centro de Pesquisas e Desenvolvimento da Universidade Estadual da Bahia, Ceped/Uneb, para implantar na Bahia uma planta piloto de extração de bioóleo a partir dos resíduos do sisal.
Fez apresentação sobre os novos produtos indústrias a base de sisal e disse que o instituto está desenvolvendo pesquisas e que buscará com suas instituições parceiras, recursos junto à Agência Nacional de Petróleo – ANP, e ao governo estadual para implantar o projeto de extração do bioóleo.
Para Raimundo Sampaio, superintendente de Desenvolvimento Agropecuário da Seagri, que representou o secretário estadual de Agricultura, Eduardo Salles, o projeto do Ibrafibras é de grande importância e pode ter relevante impacto socioeconômico e ambiental para a região.
“Hoje se aproveita apenas 5% da folha do sisal, transformando em fibra, 25% é mucilagem e 70% suco, que é acido e acaba descartado, prejudicando o meio ambiente”, disse, lembrando que técnicos da EBDA e da Adab realizaram um mutirão na região com os produtores que utilizam o PEP e verificaram que a produtividade é de 2.216 quilos por hectares. Ele explicou que a Seagri já informou oficialmente a Conab, solicitando que, com a base neste novo dado, seja ampliada a cota do PEP para o sisal.
Luta por solução imediata
De acordo com o ex-deputado estadual Misael Ferreira, presidente da Associação dos Produtores de Sisal da Bahia, esta luta para encontrar uma solução para a cultura do sisal é antiga. Ele lembra que fez diversos pronunciamentos na tribuna da Assembleia e em 2007 esteve com o Ministro Institucional em Brasil. “No ano passado entreguei um documento ao governador Jaques Wagner quando de sua visita a Coité e até agora ninguém fez nada pelo sisal”, diz.
O deputado estadual Tom Araújo, que tem defendido a cultura do sisal, manifestou sua preocupação com a baixa produtividade no Brasil, em detrimento da africana e explicou que no continente africano foi desenvolvida uma máquina que retira a palha e a fibra do sisal de forma mais eficiente e diminuído a incidência de agricultores mutilados.
O parlamentar coiteense enfatizou também, que na época áurea, nas décadas de 70 e 80, o sisal era considerado o “ouro verde” da região, responsável por alavancar a economia e o crescimento de várias cidades do interior da Bahia.
Para se ter uma ideia do quanto o cenário é trágico para a economia do Estado e do País, segundo Tom Araújo, em 1970 o Brasil produzia 210 mil toneladas de fibra de sisal/ano. Em 1980, o número caiu para 177 mil. Em 1990, veio para 150 mil. Em 2010, despencou para 66,2 mil. “Se nada for feito para incentivar o setor, mais de 500 mil pessoas que ainda sobrevivem do sisal, devem passar por extremas dificuldades”, alerta o parlamentar.