Pela primeira vez carga é transportada do Porto de Salvador sem escalas
Para atender à crescente demanda de escoamento de cargas baianas destinadas à Ásia, a operação de navios de grande porte passou a ser uma realidade no Porto de Salvador. Devido às obras de ampliação em 60% do terminal de contêineres, foi possível acompanhar, ontem, a primeira viagem do navio cargueiro CMA CGM Jade, que será realizada sem escalas.
Com capacidade para transportar mais de 4,2 mil TEUs – Twenty-foot Equivalent Unit (cada unidade equivale a um contêiner de 20 pés), a embarcação com bandeira das Ilhas Marshall possui 261 metros de cumprimento, 32 metros de largura e segue rumo ao extremo oriente, transportando celulose, couro, sisal e suco congelado.
A expectativa é de que haja uma redução significativa no tempo da viagem, com previsão de chegada no prazo de 32 dias.
Competitividade – Aos poucos, as restrições operacionais vão ficando para trás – o terminal, que antes contava com um berço de apenas 210 metros de cumprimento, possui agora 377 metros e o calado passou de 12 metros para 15 metros.
"A dragagem do canal de acesso na bacia de evolução do porto e a construção da via portuária – Via Expressa Baía de Todos-os-Santos, que irá aumentar a competitividade dos produtos baianos, são resultados da articulação entre os governos federal e estadual", esclareceu o secretário Extraordinário da Indústria Naval e Portuária (Seinp), Carlos Costa.
O secretário destacou que dentro de 20 dias serão finalizados os projetos básicos do terminal marítimo de passageiros e de requalificação urbana da área do entorno, "para responder aos anseios da comunidade e do mercado de turismo de passageiros.’’
Investimentos – De acordo com o diretor-executivo do Tecon Salvador, Demir Lourenço, as restrições operacionais do terminal foram superadas com o investimento de R$ 180 milhões, sendo R$ 160 milhões no terminal portuário e o restante no terminal retro-portuário Porto Seco Pirajá. "Até o momento, foram empregados R$ 60 milhões no processo de expansão."
O presidente da Codeba, José Rebouças, afirmou que a Lei de Portos, de 1993, definiu as funções do governo e da iniciativa privada. "Ao governo cabe prover infraestrutura dos portos nacionais, garantindo acessibilidade marítima e terrestre. Com investimentos da iniciativa privada, para o próximo ano, o terminal terá capacidade de receber navios com até nove mil TEUs."
Segundo Rebouças, com investimentos de mais de R$ 1,5 bilhão, todos os portos estão passando por adequações, o que possibilita melhores condições logísticas.
China – O chefe de gabinete da Secretaria da Agricultura, Jairo Carneiro, ressaltou que 30% da produção do algodão serão exportadas, principalmente para a China. Ele explica que a capacidade da produção é ampla e o embarque deverá começar a partir de junho.
De acordo com o Tecon Salvador, responsável pelos serviços de operação portuária, o governo uniu esforços para atrair mais investimentos voltados à verticalização da produção.