Bahia caminha para se livrar da aftosa

29/07/2011

Bahia caminha para se livrar da aftosa
 



Carlos Vianna Junior

O processo de valorização do rebanho bovino baiano está prestes a entrar em uma nova fase. A partir da segunda etapa da campanha de vacinação contra a aftosa de 2011, que será iniciada no mês de novembro, apenas os animais com menos de 24 meses de vida vão necessitar da vacina.

Com isso, deixam de ser vacinados cerca de 6,5 milhões de animais, o que representa não só um passo para alcançar a status de zona livre de aftosa sem vacinação, como também uma economia superior a R$ 10 milhões para os pecuaristas baianos.

Segundo o secretário estadual de Agricultura, Eduardo Salles, esse é só o começo de uma nova fase do processo que ele espera ver finalizado antes do fim do seu mandato. “Depende da união de esforços entre o Ministério da Agricultura, da secretaria estadual e dos pecuaristas, o que já está ocorrendo e dando frutos, mas há ainda muito trabalho a ser feito”, ponderou o secretário.

Salles, no entanto, adverte que o fim da vacinação só ocorrerá se todos os estudos comprovarem a segurança total do rebanho em relação à doença. “É um velho sonho dos pecuaristas baianos, que se transformou em uma batalha da qual temos obtido vitórias sucessivas, mas é necessário paciência e, acima de tudo, prudência.” destacou.

A Bahia já tem o status de zona livre de aftosa, mas ainda deve cumprir com a obrigação de vacinar seu rebanho duas vezes ao ano. Nesta condição, a carne bovina do estado ainda encontra restrições nos mercados mais ricos e exigentes do mundo.

A primeira etapa da campanha de vacinação foi em maio e nela, mais uma vitória foi registrada. A Bahia quebrou seu recorde ao conseguir vacinar 98% de seu rebanho. Quase a totalidade dos 10,7 milhões de animais foi vacinada, o que representa o maior rebanho do Nordeste.

A vacinação, na segunda etapa, que atingirá os animais com menos de 24 meses é justificada por um critério científico. A aftosa é uma doença que tem maior incidência em animais jovens, até os 24 meses de idade, depois disso a probabilidade de contaminação diminui consideravelmente.


Fim da zona tampão

Apesar da prudência do secretário Eduardo Salles, tudo leva a crer que em poucos anos o rebanho baiano estará capacitado para conquistar novos espaços no mercado mundial. Nova prova disso foi dada com outra conquista da pecuária do estado: o fim da zona tampão.

Representada por oito municípios, na fronteira com o Piauí, a área, conhecida como zona tampão, que servia de escudo contra a possibilidade de contaminação do rebanho baiano pela aftosa a partir do estado vizinho, não fazia parte da zona livre com vacinação. Era, do ponto de vista da pecuária, uma outra Bahia, que devido ao seu status sanitário, vivia confinada em suas fronteiras e tinha toda uma economia rural desvalorizada.

Desde o último dezembro, a extinção da zona tampão foi reconhecida pelo Ministério da Agricultura, e, em maio, o reconhecimento veio da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). “Foi a confirmação de que a nossa política de sanidade do gado está seguindo na direção certa”, comemorou Eduardo Salles.

Para que o fim da zona tampão fosse concretizado, foi necessário um pacto entre Ministério da Agricultura, a Bahia e o estado do Piauí. Tanto o estado vizinho como a Bahia tiveram que tomar medidas de segurança que garantiram a sanidade do gado na região. Entre estas medidas, se destaca o trabalho de sorologia feito com 6 mil animais baianos, no qual o sangue de cada um passou por uma análise laboratorial que conferiu a saúde do rebanho.

Tags
Bahia
aftosa
vacina
rebanho
Galeria: